Rodrigo Corsi/FPF
Rodrigo Corsi/FPF

Jornalistas divergem sobre levar partidas do Paulista para outro Estado

Colunistas e analistas ouvidos pelo 'Estadão' são contra a realização de jogos do torneio em outros locais a partir do dia 15

Toni Assis, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 17h01

A decisão do governador de São Paulo João Doria (PSDB) de suspender os jogos do Paulista, bem como outras atividades esportivas entre os dias 15 e 30 de março, em função do novo pacote de medidas para conter o coronavírus, colocou em risco a continuidade do Estadual. Diante da resistência dos 16 clubes, bem como da Federação Paulista de Futebol (FPF), que pretendem manter o calendário e finalizar a disputa na data prevista (23 de maio), o Estadão ouviu comentaristas e analistas sobre o impasse criado em função do alto número de mortes causado pela pandemia. Nenhum dos ouvidos concorda em realizar as partidas em outro Estado.

O torcedor de São Paulo ainda não tem certeza de que deixará de ver as partidas do Paulistão. O momento do Brasil é delicado. O País contabiliza mais de 270 mil mortes por coronavius, os hospitais estão lotados e o número de óbitos diário é de mais de 2 mil pessoas. De modo que a paralisação do futebol dividiu a opinião dos especialistas. Para Mauro Cezar Pereira, comentarista e blogueiro do UOL, além de colunista do Estadão, existe interesse político na medida adotada.

"Eu acho que a paralisação é política. Está pautada em novidades que tivemos neste cenário. Como, por exemplo, a possibilidade novamente de Lula ser candidato. Isso mexeu com algumas escolhas. A entrevista recente do Doria evidencia isso, tentando se posicionar como um ponto intermediário entre dois extremos que apontam para Bolsonaro e Lula. E o futebol é uma ferramenta importante para tentar agradar determinadas alas".

Mauro Cezar comentou sobre a possibilidade de jogos serem realizados fora do Estado para fugir da restrição imposta pelo governador. "Jogar fora de São Paulo é pior ainda. É melhor ficar por aqui."

Já para o comentarista Maurício Noriega, dos canais Globo, a medida de paralisação deveria ser seguida à risca em função do alto número de mortes. "Não é só uma questão de protocolos, de dados. É de solidariedade. O futebol tem sempre uma mensagem importante para passar para a sociedade. E não pode ser egoísta nesta hora. Imagino que não vai ser o fim do mundo se o futebol parar por 15 dias, como acho que o País deveria parar completamente para dar um respiro para o sistema de saúde."

Segundo o jornalista, o perigo da contaminação do vírus também está na rotina que envolve as delegações. "Os jogadores acabam se expondo mais ao risco não dentro de campo, mas na concentração. Tem viagem, hotel, saguão do aeroporto. Não sou dono da verdade, não tenho solução para nenhum problema, precisamos tocar a vida. Existem muitos empregos que dependem disso, mas não acredito que em 15 dias, o Brasil e o futebol vão desmoronar", diz.

Celso Unzelte, comentarista da ESPN, também defende a paralisação para que a pandemia seja combatida com mais rigor. "Sei que vivemos disso, mas para viver disso, é preciso, antes de mais nada, viver. Ou seja, estar vivo e com saúde. Simples assim."

Ele condenou ainda a possibilidade de realizar os jogos do Paulista fora de São Paulo. "Não existe lugar seguro, senão, não seria uma pandemia. Não faz sentido, ainda mais num País como o nosso, onde o sistema de saúde está em colapso."

Paulo Vinicius Coelho, o PVC, do SporTV, considera o problema um pouco mais complexo. "Se o governador mantiver a proibição, não tem de jogar em outro Estado. O que está acontecendo, é que o clube não está acreditando nas medidas de um governo que também fracassou (na tentativa de conter a pandemia). Se você precisa parar de novo, depois de um ano, num momento em que se faz lockdown na Europa sem parar o futebol e os números descem, e se no Brasil e em São Paulo os números sobem, é porque o governo de São Paulo não conseguiu fazer a sua campanha de combate à covid de maneira satisfatória. São Paulo é o Estado com maior número de mortes", diz.

Nesta segunda-feira, clubes, governo do Estado e FPF vão discutir as alternativas para realizar ou não os jogos durante a restrição em São Paulo.

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