Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

José Maria Marin deve entrar na mira do governo federal

Governo estaria determinado a lançar uma campanha para minar o cartola

JAMIL CHADE e ALMIR LEITE - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2013 | 08h09

RIO e SALVADOR - Entre as vítimas das manifestações, um dos que pode acabar não resistindo é o próprio presidente da CBF, José Maria Marin. O Estado apurou que, assim que a Copa das Confederações terminar, o governo está determinado a lançar uma campanha para minar o cartola, forçar sua saída do cargo de presidente do Comitê Organizador da Copa e impedir que, em 2014, sua chapa saia como vencedora nas eleições da CBF.

No início do ano, várias polêmicas acabou enfraquecendo-o ao ponto de sua saída da entidade ser cogitada. As suspeitas de seu envolvimento na ditadura militar e suas ligações com o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, impediram que ele tivesse acesso mais fácil ao Palácio do Planalto.

Se não bastasse, ontem o site UOL revelou como Marin teria se apropriado de forma indevida de um terreno na cidade de São Paulo no valor de R$ 2,8 milhões. O cartola nega.

Mas o governo não escondia que sua queda não era a mais desejada, já que o estatuto da CBF previa que o cargo seria assumido por Marco Polo Del Nero e, para Brasília, isso não significaria uma mudança real.

A opção seria minar seu trabalho no COL e, assim, afastá-lo de todas as decisões. Às vésperas da Copa, Marin ficou longe das principais reuniões e, mesmo na primeira semana do evento, apenas foi informado das decisões que eram tomadas.

Mas a explosão das ruas brasileiras e os comentários das exigências feitas pela CBF e pelo COL voltaram a azedar a relação entre o governo e os cartolas. No Palácio do Planalto, a presidência já teria tomado a decisão de que não irá mais poupar Marin. Deputados da base aliada terão sinal verde para lançar questionamentos contra Marin. A ideia é de que, se o governo não o pode tirar da estrutura do futebol, poderia torná-lo irrelevante ao ponto de sair.

Nos últimos jogos, Marin viveu uma situação desconfortável. Em pelo menos dois jogos que coincidiu com o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, o cartola foi obrigado a se sentar sozinho na ala VIP dos estádios.

Marin, porém, não está assistindo a tudo de forma passível. Em cada sede que visita, promove reuniões com governadores e políticos, tanto do PT quanto da oposição.

Na CBF, tem ainda proliferado encontros com governadores e prefeitos, justamente para costurar alianças políticas que o blindem de uma investida do governo federal.

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