Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Ex-presidente da CBF será ouvido pela Justiça da Suíça

José Maria Marin dirá se aceita extradição aos Estados Unidos

Jamil Chade, CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2015 | 07h00

A Justiça suíça vai se pronunciar até o dia 13 de agosto sobre o pedido de extradição de José Maria Marin feito pelos Estados Unidos. Advogados ligados ao caso disseram ao Estado que o ex-presidente da CBF será ouvido nesta terça-feira em Zurique em uma audiência. Ele e seus advogados pretendem rejeitar a extradição solicitada pelos norte-americanos – o que obrigará a corte a julgar o caso, avaliar o pedido dos EUA e se pronunciar num prazo de no máximo 28 dias.

Marin foi preso no dia 27 de maio em Zurique, acusado pela Justiça norte-americana de ter organizado e recebido subornos em território americano. No pedido de extradição, a Justiça dos Estados Unidos mostra como o brasileiro se reuniu na Flórida em abril de 2014 para discutir com o empresário J. Hawilla o pagamento de propinas relativas aos direitos da Copa do Brasil. A conversa foi gravada pelo executivo da Traffic.

Também nos EUA empresários fecharam acordos para o pagamento de propinas para Marin e outros cartolas envolvendo a Copa América. Outro argumento dos americanos é de que parte dessa propina foi paga usando o sistema financeiro do país.

Os advogados de Marin confirmaram ao Estado que, nesta fase do processo, não será questionado ao brasileiro se ele é ou não culpado. O que se avalia é se a extradição tem ou não base. Para tentar livrar Marin, os advogados vão tentar mostrar aos juízes suíços que os indícios não são suficientes e que os crimes supostamente cometidos sequer são considerados nas leis domésticas suíças.

O Departamento de Justiça tem outra opinião, e indicou já no dia 27 de maio que o pedido americano tinha “base” e que as evidências foram consideradas “suficientes” para que houvesse a operação que levou à prisão de sete dirigentes num hotel de Zurique.

Os suíços terão 14 dias a partir de hoje para avaliar o pedido de extradição, prazo que pode ser ampliado por mais 14 dias se os advogados solicitarem.

Se a Suíça der sinal verde para a extradição, Marin promete apelar. Haveria então mais duas instâncias, o que arrastaria a decisão até o final do ano – e com ele preso em Zurique até lá.

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