Josué sonha com a seleção brasileira

Robinho com a bola dominada, mano a mano com o volante. Uma situação que aponta para dois prováveis desfechos: o atacante do Santos dribla e vai em direção ao gol ou é derrubado com falta, muitas vezes violenta. Josué transformou em realidade uma terceira opção, quase nunca lembrada.Foi no jogo do título são-paulino, domingo, em Mogi Mirim. Josué ficou parado, esperou a hora certa, deu o bote em Robinho e saiu com a bola, iniciando um novo ataque para o São Paulo. Uma jogada repetida várias vezes em sua carreira, iniciada em 1996 no Porto de Caruaru e com oito anos seguidos no Goiás, antes de chegar ao Morumbi, em janeiro."Quando comecei no futebol, não sabia se seria volante ou meia. Treinei nas duas posições e optei por jogar mais atrás, mas sempre soube sair jogando. Sempre tive essa característica?, diz o jogador, de 25 anos, que vive do futebol desde que era um garoto de 13.Vivia do futsal, explique-se melhor. Era pivô do time do Colégio Objetivo, em Caruaru. "Eles me deram uma bolsa de estudo até o terceiro colegial. Foi a primeira coisa que ganhei com o esporte", contou.Em 1994, o Porto, time da cidade, resolveu virar um time profissional. Ofereceu um contrato a Josias, caixa do Banco Real. Como o salário era baixo, não aceitou. E indicou o irmão. "Eu fui", revelou Josué, "e comecei a jogar futebol junto com o futsal. Fiquei dois anos como júnior, disputei a Série C do Brasileiro em 96 e fiz uma partida boa contra o Vila Nova, em Goiás. Aí, o Goiás me contratou, juntamente com o Araújo, que fez muito sucesso lá, junto comigo, o Danilo, o Fabão e o Grafite. Deu tudo certo para mim, mas ainda tem gente que acha o Josias melhor."Ele analisa o erro dos conterrâneos sem mágoa. Com humildade, não aceita o fato de ser o mais importante cidadão de Caruaru. "Você não conhece Mestre Vitalino, o homem que iniciou o artesanato em Pernambuco? Ele já morreu e a casa aonde morava virou um museu. Ele é que é famoso."Talvez perca o posto quando Josué conseguir chegar à seleção, meta a que se propôs. "Hoje em dia, vejo que só chega lá quem está na Europa, quem tem essa experiência de jogar em outro país. Mas acho que dá para chegar lá mesmo estando no Brasil. O Robinho conseguiu e essa também é a minha meta. Agora, se não der, talvez eu precise ir para a Europa para conseguir. Também não é uma idéia ruim. Todo mundo sonha com isso e eu também."Para isso, ele gostaria de um reforço impossível. "Se tivesse uns dez centímetros a mais, seria mais útil também pelo alto, mas apesar disso acho que estou rendendo muito bem", disse o volante de 1,69m e fã de Dunga.Dunga? O oposto de seu futebol? "Nem tanto assim. O Dunga era muito bom. E o que eu mais gostei dele foi que deu a volta por cima e acabou com aqueles preconceitos contra ele. A torcida ficava falando em Era Dunga, criticava muito e ele superou tudo. Gostaria de ter o mesmo sucesso que ele", admitiu Josué.Pode até ser difícil, mas pelo menos Josué não precisa superar crítica alguma de torcedores. Foi uma unanimidade neste Campeonato Paulista. "Fiquei feliz com isso. Vencer em São Paulo é a prova que estou no bom caminho."

Agencia Estado,

08 de abril de 2005 | 09h40

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