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Jovem nega estar protegendo alguém ao confessar tragédia na Bolívia

'Só quero assumir o meu erro', afirmou o adolescente de 17 anos

O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 22h28

SÃO PAULO - O menor H.A.M., que assumiu em entrevista ao Fantástico ser o autor do disparo do sinalizador que atingiu e matou um jovem de 14 anos em jogo na Bolívia, afirmou que irá se entregar na próxima segunda-feira à Vara da Infância e da Juventude de Guarulhos por vontade própria. Ele também disse que não estaria protegendo os outros torcedores com esta atitude. "Não estou protegendo ninguém. Só quero assumir o meu erro".

O jovem admite estar arrependido e declarou ainda querer se desculpar com os doze brasileiros que estão presos na Bolívia desde a última quarta-feira. "Também não é certo outra pessoa pagar por uma coisa que não fez", disse. A mãe do adolescente também participou da decisão e o pressionou para que assumisse a responsabilidade pela morte de Kevin Espada. "Ele sabe, ele me conhece e eu o entregaria", afirmou, emocionada.

H.A.M. declarou ter comprado o sinalizador naval na rua de comércio popular 25 de Março e que o acidente teria acontecido porque o artefato não foi acionado na primeira tentativa. "Eu fui apenas comemorar o gol. Tirei de uma sacola, puxei a cordinha da primeira vez, mas não aconteceu nada. Na segunda vez, ele disparou em direção a torcida boliviana. Para mim, só ia acender", disse.

Depois do disparo, durante o restante do jogo entre Corinthians e San Jose válido pela Copa Liberadores, em Oruro, o jovem afirmou não desconfiar de que algum torcedor rival havia ficado ferido. "No intervalo, perguntei para os policiais se tinha machucado alguém, mas eles disseram que estava tudo bem".

O adolescente contou ainda que só tomou conhecimento da morte do adolescente boliviano quando já estava no ônibus da torcida organizada do Corinthians no caminho de volta para o Brasil. "Na saída do jogo, fomos para fora esperar o ônibus e só ficamos sabendo que ele tinha morrido no ônibus".

Ainda no estádio, quando os corintianos foram provisoriamente presos, H.A.M. preferiu ficar em silêncio e não se entregar à polícia local. "Fiquei sentado e os policiais começaram a prender o pessoal que estava lá e não vieram em mim. Não me entreguei porque fiquei com medo e não sabia o que fazer. Também pensei que eles iam ser liberados no final do jogo", argumentou.

Segundo o adolescente, ele teria assumido para integrantes da torcida organizada ser o autor do disparo do sinalizador e teria sido aconselhado a não assumir a responsabilidade. "Falaram que era melhor não me entregar porque estávamos na Bolivia e eu estava na responsabilidade deles".

Durante a entrevista, o jovem falou ainda qual era sua intenção ao levar o sinalizador, de uso proibido, ao estádio. "Eu quis buscar um espaço, quis fazer uma festa para o Corinthians. Eu amo o Corinthians", afirmou.

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