Reprodução/TV Anhanguera<br>
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Jovens em Goiás são retirados de alojamento em condições precárias

Fiscais do trabalho encontraram cerca de 30 jogadores vivendo em local desprovido de higiene: atletas pagavam R$ 400 aos dirigentes

O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2014 | 13h54

Após denúncia realizada pela Secretaria de Tráfico de Pessoas, fiscais do Ministério do Trabalho fecharam o alojamento do time da cidade de Santa Bárbara do Oeste, em Goiás, o Santa Bárbara Futebol Clube, que disputa o torneio regional Sub-20, por condições precárias de higiene. No local, os profissionais, acompanhados pela TV Anhanguera, encontraram cerca de 30 garotos vivendo em condições ruins.

O resgate dos atletas, inclusive de menores de idade de vários lugares do Brasil, que tomaram o rumo de suas casas novamente, foi realizado pelo Ministério Público do Trabalho, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e Polícia Rodoviária Federal. A auditora fiscal do trabalho, Katleen Lima, relatou à reportagem o que encontrou. "Muitos jovens dormindo confinados no mesmo quarto ou no chão. Os colchões de fina espessura, lençóis sujos, roupas de cama em estado lastimável e os pertences dos meninos estavam guardados juntos a eles porque não havia armários. São apenas dois banheiros para os 30 atletas. Não havia nenhuma mesa no estabelecimento para que eles pudessem estudar ou usar para fazer as refeições."

Mesmo disputando o Campeonato Goiano Sub-20, o Santa Bárbara Futebol Clube não oferecia contrato aos seus jogadores e ainda cobrava R$ 400 mensais para mantê-los no time. "Os adolescentes com menos de 18 anos têm de estar com contrato de formação profissional e receber bolsa a partir dele. Mas o que nós vimos aqui foi o inverso. Além de não existir esse contrato, os adolescentes estavam pagando uma taxa para permanecer no alojamento", relatou o procurador do trabalho Tiago Raineri de Oliveira.

Entrevistado pela reportagem da emissora, o diretor de futebol do clube, Manoel Borges, alegou não saber das medidas legislativas. "As condições eram as que a gente podia oferecer. Não tinha orientação do procedimento, das orientações do Ministério do Trabalho. Aí era o que a gente podia oferecer no momento", disse o dirigente, que deve pagar R$ 50 mil de multa.

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