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Jovens moedas

Que os clubes sul-americanos vivem na pindaíba, a gente sabe há séculos. Não é à toa que, com regularidade angustiante, cedem talentos para europeus – e agora também para asiáticos – a preço de banana. Só para manter o caixa mais ou menos equilibrado. A região é fértil em mão de obra barata e lucrativa para os gigantes da bola.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2015 | 03h00

O Boca Juniors vai além na submissão ao poder de euros, dólares e moedas afins. O supercampeão argentino anunciou, neste fim de semana, o repatriamento de Carlitos Tevez, cria da casa e que há uma década roda por aí, do Brasil à Itália, passando pela Inglaterra. O filho pródigo deixa a Juventus, depois de belíssima temporada, com os títulos Italiano e da Copa Itália e vice europeu.

O Boca bate no peito e afirma com orgulho que não desembolsará um tostão furado pelo ídolo. Nada será gasto, garantem os cartolas locais. As finanças da agremiação não serão abaladas para contar com o rapaz que o iraniano Kia Joorabchian trouxe para o Parque São Jorge, dez anos atrás, como a pérola maior no acordo do Corinthians com a MSI de triste memória.

Meia verdade. Para rever Tevez, os argentinos abrem as portas para a Juventus levar os jovens promissores que quiser. Basta que um olheiro diga para a turma de Andrea Agnelli (o presidente e representante dos acionistas) que tem um rapaz assim, assim lá pelas bandas da Bombonera, que as negociações seguirão em frente. Com uma boa conversinha, leva até com desconto.

Como prova de boa vontade, o Boca topou rachar os direitos de Guido Vadalá, 18 anos e apontado como candidato a estrela. Como demonstração de apreço e simpatia pelo parceiro, Vadalá vai logo por empréstimo de dois anos. Se cair no gosto da Juve, fica.

Em teoria, bom negócio para o Boca. Claro, Tevez é querido pelo torcedor, ainda tem lenha para queimar, como demonstrou na Itália, e mandará no time. Mas botou o pé na categoria dos veteranos. A Juventus segue a cartilha pragmática dos europeus, que reza o seguinte: suga-se o possível de um grande jogador. Depois, perto do bagaço, tem caminho livre para arrecadar dinheiro extra para aposentadoria. Foi assim com Baggio, com Del Piero e será com Pirlo. Homenagens, placas, festa de despedida e página virada.

No caso de Tevez, a Juve se dispôs a manobra de pequeno risco. Ele não queria mesmo ficar, já manifestava intenção de regressar para casa. O prejuízo poderia ser maior, se saísse ao final do contrato. Então, por que não ceder ao desejo do jogador e ter a base do Boca como mina para garimpar. Sempre tem uma boa pérola por lá. Se, no fim das contas, também não sair nenhum diamante, paciência, é só mais um negócio que não rendeu o suficiente. Haverá novas oportunidades.

A América do Sul é uma bênção para os europeus, acostumados a vir por aqui em busca de excelentes oportunidades. Vez ou outra quebram a cara; em geral, não têm do que se queixar.

Incógnita. Palmeiras e São Paulo enfrentam-se mais uma vez no novo Parque Antártica, rebatizado como Allianz Parque. Na última ocasião, a vitória foi verde, com o gol de placa de Robinho nos 3 a 0. Então, os palmeirenses seguiam a trilha do título estadual, com Oswaldo Oliveira a montar o time com um monte de novas caras. Os são-paulinos viviam os derradeiros momentos sob o comando de Muricy Ramalho.

A situação, agora, é outra. Ambos estão sob novo comando, passam por transformações e ostentam um grande ponto de interrogação. O vaivém nos elencos continua intenso – no caso do São Paulo é mais vai do que vem – e nenhuma das equipes tem uma “cara” definida, um modo de jogar que se possa considerar padrão. Marcelo Oliveira tateia no Palmeiras, Juan Carlos Osorio aprende a decorar os nomes dos que ficam.

O São Paulo tem números melhores e frequenta a parte de cima da classificação. O Palmeiras patina e está lá embaixo. Como são incógnitas, sabe-se lá o que aprontarão.

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