Manu Fernandes/AP
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Juiz aceita denúncia e investigará compra de Neymar pelo Barcelona

Juiz Pablo Ruz confirma que há 'elementos suficientes para admitir uma investigação'

Agência Estado

22 de janeiro de 2014 | 12h01

BARCELONA - A Justiça espanhola concordou em abrir uma ação judicial contra o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, nesta quarta-feira, por conta do caso envolvendo a venda do atacante Neymar ao clube. Depois de examinar os contratos envolvidos na negociação, o juiz Pablo Ruz confirmou que há "elementos suficientes para admitir uma investigação" do dirigente catalão.

A aquisição de Neymar virou alvo da Justiça espanhola, que apura se houve ocultação de valores por meio de contratos ilegais. A confusão sobre o acordo entre os clubes começou quando Jordi Cases, sócio do Barcelona, entrou com uma ação alegando que a transferência foi bem mais cara do que a anunciada oficialmente.

O jornal espanhol El Mundo chegou a publicar na última segunda-feira que a contratação do atacante custou 95 milhões de euros (aproximadamente R$ 300 milhões). Sandro Rosell, no entanto, garante que os 57 milhões de euros (cerca de R$ 180 milhões) oficializados após a negociação são de fato o valor da transferência.

Em meio aos desencontros de informações, Pablo Ruz requisitou em dezembro do ano passado os contratos envolvidos no acordo. A determinação foi feita por conta da denúncia de Jordi Cases, um sócio do clube, que acusou Sandro Rosell de apropriação indevida de valores.

Cases apontou a necessidade de saber como Rosell "explica os gastos, porque não está claro". O presidente do clube e outros membros da diretoria rebatem, alegando que os contratos envolvidos na transferência de Neymar incluíam cláusulas de confidencialidade, que não os permitem revelar quem recebeu dinheiro com a transação, a não ser o ex-clube do jogador, o Santos.

De acordo com a reportagem publicada no El Mundo, o Barça pagou comissões secretas à família de Neymar para que o jogador optasse pelo clube catalão ao deixar o Santos.

Documentos da Justiça espanhola obtidos pela reportagem do jornal confirmam que os promotores locais suspeitam de "indícios de delitos" nos contratos entre o atacante, a empresa de seu pai e Rosell. Teoricamente, 40 milhões de euros (R$ 126 milhões) foram pagos à empresa do pai do atleta e outros 17 milhões de euros (R$ 53 milhões) para o Santos.

Nos supostos contratos secretos estariam 8,5 milhões de euros (R$ 26 milhões) que iriam para o pai de Neymar. O Barcelona ainda teria pago 7,9 milhões para reservar eventuais promessas que surgissem no Santos e mais 9 milhões de euros para jogar um amistoso contra o clube. A essa conta ainda deveriam ser somadas comissões para a realização de projetos sociais nas favelas, num valor de 2,5 milhões de euros. Outros 2 milhões seriam usados para buscar novos craques no Brasil, além de 4 milhões de euros (cerca de R$ 12 milhões) para atrair investidores brasileiros. Desse valor, outros 5% de comissão ao pai de Neymar mais uma vez seriam adicionados.

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