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Juiz pede que investigadores definam se morte de Maradona foi homicídio culposo

Médico pessoal do craque argentino, o neurologista Leopoldo Luque se defendeu de acusações

Redação, Estadão Conteúdo

03 de dezembro de 2020 | 16h38

A investigação sobre a morte de Diego Maradona, aberta no último final de semana pela Justiça da Argentina, segue repercutindo no país. Nesta quinta-feira, o juiz Orlando Díaz, da região de San Isidro, pediu que os investigadores concluam o caso e definam a qualificação legal do ocorrido. Isso é necessário para que o pedido da advogada do médico Leopoldo Luque, médico de Maradona, seja atendido. Ela quer que seu cliente, investigado por homicídio culposo, responda em liberdade.

No último domingo foram realizadas buscas no consultório e na residência do neurologista, que se defendeu das acusações. Luque disse aos repórteres após as buscas que entregou aos investigadores todos os registros de seu tratamento de Maradona, bem como computadores, discos rígidos e telefones celulares. Chorando, ele insistiu que não teve culpa na morte do astro argentino, que faleceu no último dia 25 após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

"Eu sei o que eu fiz. Eu sei como fiz isso. Tenho certeza absoluta de que o que eu fiz o melhor por Diego, o melhor que pude", afirmou o neurologista, que assegurou que não era o médico-chefe, mas parte da equipe médica que cuidou de Maradona. "Não há erro médico, nem há julgamento. Maradona teve um ataque cardíaco. É a coisa mais comum no mundo morrer assim. É um fato que pode acontecer. Sempre foi feito todo o possível para diminuir esse risco, mas não dá para bloqueá-lo", acrescentou.

Maradona havia sofrido uma série de problemas de saúde, alguns devido a excessos de drogas e álcool. Ele teria estado à beira da morte duas vezes, em 2000 e 2004. Luque disse que o ídolo argentino era um paciente difícil e havia expulsado o médico de sua casa várias vezes. "Diego fez o que queria. Ele precisava de ajuda. Não havia maneira de chegar até ele. Ele me mandava embora, e depois eu voltava. Tudo o que fiz foi de mais, não de menos", salientou o médico.

Esta medida da justiça argentina tem como base os depoimentos de Dalma, Gianinna e Jana, filhas de Maradona, que demonstraram descontentamento com o tratamento que foi prestado na casa do ex-jogador em Tigre, na região da Grande Buenos Aires.

Como parte das "tarefas investigativas", considerou-se necessário "solicitar buscas na casa e no consultório do médico Leopoldo Luque", disse em comunicado o procurador-geral de San Isidro, em Buenos Aires. "Uma contínua investigação e apuração de provas, com alguns testemunhos, inclusive parentes diretos", seguiu a nota.

Luque se mostrou conformado com a investigação, mas reforçou que fez de tudo por Maradona. "O que fiz pelo Diego até a última fase legal, posso mostrar. Ainda não estou informado sobre as acusações. Vieram de um jeito que ninguém esperava. Isso depois de trabalhar como fiz para o Diego. Abrimos as portas e demos a eles todas as informações de que precisavam", ressaltou.

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