Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Juiz tira crianças dos jogos do Mogi Mirim no Vail Chaves

Determinação é de Fábio Rodrigues Fazuoli, da Vara da Infância e Juventude do município. 

Luis Filipe Brito Santos , O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2017 | 07h00

Desde fevereiro, menores de idade estão proibidos de entrar no estádio Vail Chaves, em Mogi Mirim, por determinação do juiz Fábio Rodrigues Fazuoli, da Vara da Infância e Juventude do município.

O Vail Chaves ficou fechado por quatro jogos no início de 2017, mas foi liberado com restrições. Os laudos da PM, do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária apontam que o estádio não tem um responsável pela segurança, não possui câmeras suficientes para toda a sua capacidade e tem problemas em instalações, como banheiros, lanchonetes e postos policiais, fazendo com que apenas 14 mil de seus 19 mil lugares sejam liberados para o público.

A interdição aos menores é um dos fatores que causam o baixo público do Mogi na Série C, que tem em média 159 torcedores por jogo no estádio. A campanha ruim, com o time ocupando a última colocação no grupo B, próximo de ser rebaixado à quarta divisão, também afasta os torcedores.

Segundo a diretora jurídica do clube, Roberta Pinheiro, o clube não vê como finalizar a proibição aos menores. “A justificativa do juiz é que temos que contratar seguranças armados, além dos PMs. Mas o clube passa por dificuldades financeiras, nos últimos jogos tivemos um prejuízo de R$ 14 mil, mais ou menos. É complicado até pagar a arbitragem. Então, não temos dinheiro para isso”.

“Outra razão que ele cita é que não temos contrato para prestação de serviços de saúde. De fato não temos, mas porque a prestadora é nossa parceira, e fornece sem precisar disso. O dono da Unimed regional mogiana é torcedor do clube e fez a parceria. Se fôssemos fazer o contrato, teríamos um custo, que não podemos pagar no momento”, prossegue Roberta.

Para tentar contornar a situação, a diretora tenta uma liminar com o juiz, mas não tem obtido sucesso. “Tentamos mostrar a situação para ele, mas não adianta. Parece até uma perseguição com o clube”, diz. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o juiz cumpre a portaria n° 02/2004 da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Mogi-Mirim, que estabelece requisitos para que um local possa receber eventos frequentados por menores de idade.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo disse que o juiz não poderia atender aos pedidos de entrevista feitos pela reportagem, já que “o caso corre em segredo de Justiça, por se tratar de competência da Infância e da Juventude”. 

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