Julgamento de Baiano é imprevisível

Diante do comportamento inconstante do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nos últimos casos de doping, é impossível fazer qualquer tipo de previsão sobre o resultado do julgamento do zagueiro Júnior Baiano, do Vasco, que começa às 18 horas desta quarta-feira. Em exame realizado no dia 18 de janeiro, após a final da Copa João Havelange, foram encontrados vestígios de cocaína na urina do jogador, que foi suspenso preventivamente e pode receber punição de 120 a 360 dias.Nos casos mais recentes de doping no futebol brasileiro, o STJD se comportou de maneiras distintas. Flagrado também com cocaína no organismo, o meia Lopes, do Palmeiras, foi condenado a 120 dias, embora ainda jure inocência. Em outro caso de repercussão, o lateral Athirson, na época no Flamengo, o antidoping constatou a presença de um estimulante. O jogador alegou que tinha ingerido a substância de forma involuntária e foi absolvido.Se a lei fosse seguida à risca, os auditores não teriam como evitar a condenação da Júnior Baiano. Não há margem para dúvida no artigo 35 da lei Nº 531/85, que regulamenta os casos de doping. Segundo esse item, um atleta ter disputado uma partida comprovadamente dopado resulta em pena de 120 a 360 dias. Em caso de reincidência, o jogador é expulso do esporte.Os auditores, porém, têm levado em conta a intenção de consumir a substância dopante, embora isso não esteja previsto em lei. Desta vez, serão os cinco auditores da 3ª Comissão Disciplinar do STJD - 1ª instância - que vão decidir o futuro do zagueiro do Vasco.O relator do processo é o paulista Kalihl Abdala. Entre os outros integrantes da comissão, a novidade é a presença de uma mulher, Patrícia Cabo. Os outros membros são Márcio Pereira, Álvaro César Moreira e Marco Aurélio Pachá.Os advogados do Vasco pretendem seguir a estratégia vitoriosa do Flamengo, que conseguiu livrar Athirson de punição. Ou seja, vão alegar que Júnior Baiano não teve a intenção de consumir a cocaína, assim como o zagueiro indicou em sua entrevista à imprensa, negando ser usuário da droga. Para tentar comprovar esta tese, eles devem apelar para o testemunho do próprio jogador, de funcionários do clube e de médicos.

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