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Julio Cesar pode unir-se a goleiros que mais defenderam o Brasil em Copas

Rumo a seu segundo Mundial, escolhido de Felipão se aproxima de marca de Gilmar, Leão e Taffarel

Antero Greco, Especial para o Estado

28 de maio de 2014 | 07h33

TERESÓPOLIS - Júlio César anda animado com a perspectiva - muito provável, por sinal - de juntar-se ao pequeno grupo de jogadores que defenderam o gol da seleção em mais de uma Copa. Ele foi titular em 2010, nos cinco jogos da seleção, até a eliminação diante da Holanda, A lista seleta contém, de 1930 até a Copa da África, só Gilmar, Leão e Taffarel com participação, em campo, em duas ou mais edições consecutivas do torneio. A relação completa dos que tiveram de segurar o rojão sob as traves da amarelinha contempla 18 nomes em 70 anos.

O Brasil estreou a saga na principal competição do futebol em 1930, no Uruguai, mas teve de esperar 28 anos até formar dinastias no gol. A primazia coube a Gilmar dos Santos Neves, lendário ídolo de Corinthians e Santos. No Mundial de 1958, na Suécia, ainda como titular do Timão, ganhou a confiança do técnico Vicente Feolla e se manteve firme, de cabo a rabo, na campanha do primeiro título brasileiro. No total, foram seis jogos, mesmo número de apresentações na trajetória do bi, em 1962, no Chile, então como astro santista. Gilmar esticou o reinado até as duas primeiras partidas em 1966, na Inglaterra ( 2 a 0 na Bulgária e 1 a 3 para a Hungria). Na despedida (3 a 1 para Portugal), abriu espaço para Manga.

O segundo a superar a barreira de uma Copa como titular foi Emerson Leão (Palmeiras), com 14 jogos entre 1974 e 1978 (sete em cada uma). Leão ainda estivera no elenco do tri, em 1970, no México, e fez parte da delegação que voltou ao México, em 1986. Nas duas ocasiões, porém, só esquentou banco, sob comando de Zagallo e, em seguida, de Telê Santana.

Taffarel é que não ficou na reserva em nenhum dos três Mundiais em que foi convocado. Na Itália, em 1990, como representante do Internacional defendeu o Brasil em 4 jogos, a pedido do técnico Sebastião Lazzaroni. Quatro anos mais tarde, já na Reggiana (Itália) foi um dos responsáveis pelo tetra, sob a guia de Carlos Alberto Parreira. "Sai que é tua, Taffarel!", como dizia Galvão Bueno. Em 1998, de volta ao país e no Atlético-MG, foi vice-campeão, com Zagallo na chefia. Taffarel tem o recorde de 18 jogos seguidos, quatro a mais do que Gilmar e Leão.

Essas marcas explicam por que o Brasil não usou muitos goleiros em 19 Mundiais. Mas nem sempre foi assim. A experiência inicial, em 1930, não foi lá grande coisa: a seleção perdeu para a Iugoslávia por 2 a 1, com Joel, do América do Rio, no gol. E se despediu com 4 a 0 na Bolívia, daquela vez com Velloso, do Fluminense, que ainda pegou um pênalti quando o jogo estava no empate de 0 a 0.

A Copa de 1934 foi aquela com passagem-relâmpago: derrota para a Espanha por 3 a 1 na estreia, que valeu também como adeus. No gol? Pedrosa, do Botafogo. Na França, em 1938, o Brasil disputou cinco jogos: Batatais (Flu) abriu e encerrou os trabalhos, enquanto Walter (Flamengo) enfrentou Tchecoslováquia (duas vezes) e Itália.

Em 1950... bem, em 1950 Barbosa esteve presente nas seis apresentações da seleção, dos 4 a 0 diante do México aos fatídicos 2 a 1 para o Uruguai. Por considerarem que falhou na final, amargou "condenação eterna", numa injustiça sem tamanho no nosso esporte.

Os privilegiados que vestiram a número 1 (nem sempre foi "1", mas vale como licença poética) em outros Mundiais foram: Castilho (Flu, 3 jogos em 1954, embora tenha sido reserva em 1950, 58 e 62), Félix (Flu, 6 jogos no tri em 1970), Valdir Perez (São Paulo, 5 jogos em 1982, reserva em 1974 e 78), Carlos (Corinthians, 5 jogos em 1986, e reserva em 78 e 82), Marcos (Palmeiras, 7 jogos no penta, em 2002), Dida (Milan, 5 jogos em 2006, além da reserva em 1998 e 2002), além do próprio Júlio César, em 2010, como jogador da Inter de Milão.

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