Juninho Fonseca não se considera derrotado

Juninho Fonseca não deixa o Corinthians se sentindo um derrotado. Apesar do fraco desempenho do time em suas mãos, ele volta para Campinas convencido que a experiência dirigindo um time profissional de ponta vai ajudá-lo no futuro. "Não é qualquer um que tem no cirrículo uma passagem pelo Corinthians. Isso ajuda. Agora, vou esperar pelas propostas".O ex-técnico corintiano não se despediu dos jogadores porque foi demitido pela manhã, no mesmo hotel onde o Corinthians costuma se concentrar. Só passou rapidamente pelo Parque São Jorge para acertar o distrato e foi embora em seguida. Sua assessoria de imprensa marcou uma entrevista coletiva num restaurante chique do Tatuapé, onde o treinador falou por 15 minutos. Juninho fez questão de não fechar as portas do clube. De curioso mesmo, só disse que não esperava pela demissão agora, apesar da enorme pressão que vinha sofrendo desde a derrota para a Portuguesa, na semana retrasada."Eu esperava continuar o meu trabalho. Sabia das pressões, mas não achava que iria sair".O encontro com o diretor-técnico Roberto Rivellino foi bem rápido.Juninho mais ouviu do que falou. Aliás, Rivellino também foi bem objetivo, explicando as mudanças no clube - junto com Juninho, saíram também o auxiliar-técnico Jairo Leal e o preparador físico Moraci Sant´Anna. Juninho desprezou explicações sobre sua demissão."O Rivellino me comunicou a decisão e eu entendi. Quer dizer: entendi entre aspas. Eu queria continuar. Mas o que aconteceu comigo não é nada diferente do que acontece no futebol".Após ouvir que estava fora, a primeira preocupação foi ligar para a sua mulher, Cláudia. Ele não queria que a família soubesse de sua saída por intermédio da imprensa. "A família sempre acaba sendo atingida, de uma forma ou de outra. Mas eu liguei, avisando que estava voltando para casa numa boa".Juninho só lamentou não ter tido tempo de mostrar o seu trabalho, interrompido pela demissão. "Infelizmente, os resultados são mais rápidos do que os resultados". Em seguida, disse que não se arrependeu de nenhuma decisão. "A saída foi triste, ruim, mas a vida continua. Não me arrependo de nada. Estava fazendo o meu trabalho, buscava os resultados. Enfim, o Corinthians segue e eu continuo a minha vida".Juninho não quis avaliar atitudes que comprometeram a sua imagem como ?chefe?, quando evitou bater de frente com Vampeta (em 2003) e com Régis Pitbull. Vampeta disse que não jogaria mais no Corinthians enquanto Juninho fosse o técnico mas acabou jogando. E Pitbull, que evitou o cumprimento do técnico, após ser substituído no jogo contra o União Barbarense, em Santa Bárbara D´Oeste mas acabou se desculpando depois."Qualquer posição que eu tivesse tomado, não me daria a certeza, hoje, se seria melhor ou não. Mas é algo que eu levo como experiência. Vou avaliar tudo isso mais tarde".Outra lição foram as cobranças. Juninho não imaginava que tivesse tanta capacidade para administrá-las. "A exposiçaõ é muito grande. Só quem trabalha como técnico da equipe profissional do Corinthians percebe a grandeza do time e como é forte o impacto da mídia. Levou também isso como lição".

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