Miguel Schincariol/ Ituano
Miguel Schincariol/ Ituano

Juninho Paulista: 'Quero resgatar a essência do futebol brasileiro'

Ex-jogador completa 10 anos como gestor do Ituano e espera tornar clube referência na formação de atletas

João Prata, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 04h30

Juninho Paulista era um jogador que já não tem mais por aí no mercado. Meia-atacante habilidoso, fazia fila nos marcadores adversários e também batia na bola como poucos. Na Inglaterra, onde fez história na década de 90, é considerado por muitos o melhor jogador que passou pelo Middlesbrough. 

No ano em que completa 10 anos no controle do Ituano, ele contou ao Estado sobre as dificuldades enfrentadas após pendurar as chuteiras e revelou que já teve de botar dinheiro do bolso no clube . Sua meta é fazer do Ituano referência na formação de atletas e  revelar atletas com características semelhantes a dele. “Não se vê mais meias, os jogadores não buscam muito o drible. É preciso mudar isso". O Ituano estreia no Campeonato Paulista nesta segunda-feira, contra o Novorizontino, às 18h15, em casa.

Por que você decidiu ser gestor de um time de futebol?

Em 2008, joguei na Austrália. Estava parando por causa dos problemas de lesão.. Queria continuar no futebol. Não pensava ser treinador ou dirigente de clube grande. Queria um clube para administrar.

Como surgiu a oportunidade de assumir o Ituano?

Talvez tenha sido precoce. Ainda não estava preparado para o lado administrativo. Mas surgiu oportunidade pela identificação com o clube onde comecei a carreira. Aceitei o convite com a condição de que pudesse tirar os vícios do passado.

O que conseguiu mudar?

Quando cheguei vi a mesma estrutura de quando tinha jogado há 20 anos. Fazia três anos que estava sem categorias de base. Reativamos a base, nossa prioridade, e construímos um centro de treinamento. 

Quais foram os erros cometidos no início dessa carreira?

Fui apanhando. A questão financeira, o marketing, Ia muito no olhômetro, sem fundamentos. Foram uns bons reais para o ralo. 

O que fez para mudar?

Percebemos que o caminho era profissionalizar todos os departamentos. E começamos a crescer com o intuito de ser um clube formador. Queremos resgatar a essência do futebol brasileiro. Não se vê mais meias, os jogadores não dão mais tantos dribles. Queremos mudar isso.

O que mudou após a parceria financeira com o Grupo Gaia no fim de 2017?

Muita coisa. Eles implementou cursos profissionalizantes, por exemplo. Tem muito atleta que chega no sub-20 e para de estudar. Sou um exemplo disso. Tentamos mostrar a importância de ter curso superior, porque se a carreira de jogador não der certo, ele tem outra alternativa. 

O Ituano fecha no azul?

Não, é deficitário. Por volta de R$ 3 milhões ao ano. Nossa meta é colocar o Ituano no cenário nacional em melhor situação. Pelo porte e organização poderia muito bem estar entre os 10 time da Série B. 

Quando você acha que o time disputará a Série B?

Já era para estar. Vamos disputar a Série D, portanto estamos com dois anos de atraso. Mas futebol é momento, como foi o título estadual em 2014.

Já precisou colocar dinheiro do bolso no clube?

Já. Mas faz dois anos que temos buscados outras formas para administrar as dívidas. 

Quem o Ituano já revelou para o futebol em sua gestão?

Não tem nada melhor do que ver grandes times  com jogadores formados aqui. O Luiz Felipe, zagueiro, vem se destacando na Lazio, o Victor Hugo, da Fiorentina... Mas a primeira safra que trabalhamos desde o início está subindo agora. Quase todos do elenco da base subirão para o profissional. 

 

 

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