Juninho: "Tenho medo, mas estou seguro"

Entre jogadores e integrantes da comissão técnica do Corinthians, ninguém vai ter um primeiro semestre tão decisivo como o técnico Juninho Fonseca. Se tiver desempenho vitorioso, conseguirá entrar no restrito universo dos profissionais "de grife?. Do contrário, estará fadado a voltar às divisões de base do clube ou assumir o comando de equipe menores. É o próprio Juninho quem resume com clareza esse momento e explica como se sente. "Tenho medo, sim. Tenho receio como qualquer ser humano?, afirma. "Mas apesar de ansioso, estou seguro do trabalho que estou desenvolvendo.? Juninho procura evitar o assunto. Porém, neste bate-papo exclusivo com o Estado, o treinador mostrou que está bastante consciente da importância que os resultados na primeira metade do ano vão representar para sua carreira. Sabe que, uma vez efetivado, desaparecerá aquela ?redoma? que a diretoria criou à sua volta no final de 2003 para poupá-lo das pressões. Daqui para frente vai se tornar o principal alvo das críticas. "Tenho plena noção disso e estou preparado para essa situação.? Seu primeiro desafio oficial está marcado para quarta-feira, em Sorocaba, contra o Atlético. É a estréia no Corinthians no Campeonato Paulista, competição que o clube já venceu 25 vezes e busca o bicampeonato. Estado - Juninho, a diretoria acabou se tornando a grande vilã da campanha do Brasileiro de 2003. Durante as férias os dirigentes contrataram 12 jogadores e agora dizem que está em suas mãos. Te preocupa o fato de as pressões, daqui para frente, caírem sobre você?Juninho Fonseca - O que me preocupa nessa história é fazer um bom trabalho. Não vou mentir. É claro que dá medo, sim. Tenho receio. Mas estou bastante seguro do trabalho que estou desenvolvendo e dos resultados que podemos obter. Temos um compromisso com uma nação de 30 milhões de corintianos. Estado - Muitos apontam esse primeiro semestre como um verdadeiro divisor de águas na sua carreira. Você concorda? Juninho - Eu busco afirmação e não tenho motivo para esconder isso. É claro que isso vem com os resultados, mas posso assegurar que estou tranqüilo, bastante concentrado no trabalho. Estudo muito e sei o que estou fazendo. Estado - Você conseguiu relaxar nas férias? Como foram esses dias de folga? Juninho - De fato, não consegui desligar. Fui para Olímpia e atendi algumas pessoas, amigos de longa data que a gente não via faz tempo. Mas assim mesmo vira-e-mexe atendia telefone. Só mesmo na véspera e no dia de Natal e que me dediquei inteiramente à família. Assim mesmo ainda me pegava pensando no Corinthians. Do nada. Por exemplo, estava jogando vôlei e, de repente, lembrava de alguma coisa do time, num jeito melhor de posicionar esse ou aquele. Às vezes acordo durante a noite e penso: ?ah, meu Deus, por que acordei?? Estado - Nesse processo de contratação, todos os atletas foram indicação sua? Juninho - Todos eles foram aprovados por mim, depois de a diretoria me consultar. Estado - Mas quais foram, de fato, indicações suas? Juninho (reticente) - Tive participação em todas elas. Estado - Você teve de mudar muito sua metodologia de trabalho em relação ao que fazia nos juniores? Juninho - Ah, não tenha dúvida. Com os garotos a gente fala mais porque precisa orientar mais. Você está formando um profissional. Aqui não, pois esse profissional já está pronto. Se fico falando muito, uma hora ou outra eles vão pensar: "pô, mas o que esse cara tem de ficar falando essas coisas que eu já sei?. Estado - Como tem sido sua preparação nessa fase de pré-temporada? Juninho - Eu tenho características que me ajudam. Eu gosto de ler muito, tudo o que cai na minha mão. E muita coisa de futebol também. E isso me ajuda tirar lições boas que podem ser usadas no dia-a-dia. Outro detalhe importante é que falo com todo mundo e gosto de tudo esclarecido, bem entendido. Também escrevo bastante. Às vezes leio alguma coisa e já anoto porque sei que pode ser útil. Estado - Mas assim você não corre o risco de perder a espontaneidade naquilo que faz? Juninho - Não. Agir de forma natural é importante. Isso tudo o que faço não é a regra do meu trabalho. É apenas apoio ou, como costuma dizer esse pessoal mais moderno, são ferramentas de trabalho. Chique isso, não?

Agencia Estado,

18 de janeiro de 2004 | 10h20

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