Júnior não vê a hora do ano acabar

O fiasco do time até que saiu barato para o Corinthians. Sem a presença do vice-presidente de Futebol Antonio Roque Citadini, que não foi ao vestiário, o que deveria ser um protesto da Gaviões contra a diretoria se transformou num manifesto de apoio ao técnico Júnior. O presidente da Gaviões, Ronaldo Pinto, tentou procurar o treinador para ratificar o apoio da torcida organizada, mas não conseguiu. Os seguranças impediram o contato no vestiário por ordem da diretoria. "Vocês se queimaram na festa de aniversário do clube. Agora, todo mundo vai passar batido, sem falar com vocês", afirmava um segurança. Ronaldo não desistiu de conversar com Júnior e permaneceu ao lado do ônibus até a saída. Antes de se aproximar do técnico, disse à Agência Estado. "Ele (Júnior) não tem culpa. O time é muito fraco. A culpa é de quem montou esse grupo, a diretoria." Júnior ficou praticamente sozinho no vestiário, ao lado do gerente de Futebol, Edvar Simões, que não é bem um diretor. Rivellino viu o jogo das tribunas e foi embora de lá mesmo. O único dirigente que resolveu enfrentar a situação foi Andrés Sanches, vice-presidente de esportes terrestres, que só deixou o vestiário após a saída do último jogador. Andrés, no entanto, não quis polemizar a situação. "Só estou aqui para acompanhar a movimentação." Júnior estava extremamente calmo no vestiário. Enfrentou todas as perguntas respondendo-as no mesmo tom de voz. Deixou claro que o futuro do time até 31 de dezembro será tenebroso. "Vai ser um final de ano para todos nós. Para a torcida, que não está acostumada às derrotas frequentes, e para nós, que estamos trabalhando. Como vamos melhorar essa situação é a grande dúvida. Todos que acompanham o Corinthians têm consciência do que acontece. Não preciso eu ficar repetindo." O treinador também reconheceu indiretamente que os jogadores precisarão dar uma resposta mais efetiva nas próximas partidas. Júnior admitiu que o grupo esteve um pouco apático no jogo desta quarta-feira. "Não foi nenhuma surpresa o que aconteceu, principalmente enfrentando um time organizado como o São Caetano. Eles jogaram e não deixaram a gente jogar. Mereceram a vitória, sem a menor contestação. Cabe a nós encontrar soluções para a equipe. Não será fácil diante de tantas deficiências, mas vamos trabalhar." Dos jogadores, ao mais cobrados foram André Luiz e Jamelli. André reconheceu que os jogadores mais experientes terão de segurar a bronca. "Num momento como esse, é fundamental manter a tranqüilidade". Jamelli fez quase o mesmo discurso, mas não esqueceu algumas justificativas para o seu desempenho medíocre. "Joguei como atacante, fora de posição. Não sei jogar de costas para o gol". O atacante, porém, reconheceu em parte que os mais experientes devem assumir a responsabilidade. "Não vamos fugir dessa responsabilidade, mas seria bom que todos participassem com uma parcela disso. Afinal, não dizem que quando o time ganha todo mundo ganha? Então, quando perde, todo mundo deveria assumir a derrota, não é mesmo?"

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