Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Justiça acata pedido da Caixa e Arena Corinthians vai para o Serasa

Segundo banco, clube deve seis meses de parcelas do financiamento do seu estádio e cobra multa de R$ 48,7 milhões

João Prata, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 21h45

A Justiça acatou o pedido da Caixa Econômica Federal para incluir o nome da Arena Itaquera S/A, que administra o estádio do Corinthians, no cadastro de inadimplentes do Serasa. O despacho é do dia 27 de agosto de 2019.

No processo, o banco informa que o Corinthians não paga as parcelas do financiamento da arena desde março e, por isso, cobra uma multa no valor de R$ 48,7 milhões. O total da causa é de R$ 536 milhões, o que inclui multa, juros e correções, além do valor do financiamento para a obra do estádio. Na ação, que está na 24.ª Vara Cível Federal de São Paulo, o banco alega que estão em aberto as parcelas de março, abril, maio, junho, julho e agosto deste ano. 

A parcela de janeiro, paga, foi de R$ 6.442.357,31 e a de fevereiro de R$ 6.565.312,96 e totalizam R$ 13.007.670,30. O valor em aberto dos meses subsequentes é de R$ 33.789.494,81.

O Estado entrou em contato com o advogado do Corinthians, Fábio Trubilhano, para saber se o clube havia respondido a notificação recebida pela Caixa na última semana e obteve a seguinte resposta. “A Arena Itaquera SA foi citada em execução judicial movida pela CEF. As alegações defensivas cabíveis serão apresentados em juízo, por meio de institutos jurídicos próprios, nos prazos legais”, informou.

O presidente Andrés Sanchez concedeu coletiva na última sexta-feira e informou que apenas dois meses estavam atrasados. No entanto, lembrou que, caso a Caixa não estivesse contando o período de um acordo verbal, esse atraso contaria desde março. Procurado pelo Estado, o Corinthians não se manifestou.

O clube havia acertado verbalmente com a gestão anterior da Caixa novo parcelamento da dívida. Desde o ano passado, existe um acordo entre as partes. Esse acerto só não foi sacramentado até agora, segundo explicações do Corinthians, pela "perspectiva da iminente troca de comando da instituição financeira". Andrés deve ir ao Conselho Deliberativo do clube até o fim do mês para prestar esclarecimentos sobre o acordo com a Caixa.

O Estado já detalhou em reportagem anterior que o acerto prévio teria validade até 2028. O clube pagaria parcelas mensais de R$ 6 milhões, de março a outubro de cada temporada, e R$ 2,5 milhões entre novembro e fevereiro, período em que há um menor número de jogos no calendário do futebol brasileiro. No começo do ano, os times estão se preparando para a temporada e no fim, quem não tiver outros competições, só disputam o Brasileirão, pelo calendário atual. 

A Caixa emprestou inicialmente R$ 400 milhões ao Corinthians para a construção do estádio. Desde o início do financiamento, em 2014, o clube pagou cerca de R$ 160 milhões, sendo R$ 80 milhões de fevereiro de 2018 até agora. Mas como corre juros mensais, a dívida atual, segundo o Corinthians está na casa dos R$ 470 milhões. De acordo com a Caixa, R$ 536 milhões por causa da multa por atraso de pagamento.

O imbróglio ocorre no momento em que o Corinthians encaminhou acerto também com a Odebrecht. Além dos 400 milhões de dívida com a Caixa, o clube havia se comprometido a pagar R$ 420 milhões para a construtora. Esse valor viria por meio dos CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) emitidos pela Prefeitura de São Paulo.  


 

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