Marcos Pin/EFE
Marcos Pin/EFE

Justiça aceita pedido de sindicato de funcionários e suspende jogo entre Palmeiras e Flamengo

Pedido aconteceu devido ao alto número de funcionários do clube rubro-negro diagnosticados com covid-19

Ricardo Magatti, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2020 | 15h16

O Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ) aceitou o pedido do Sindeclubes, sindicato que representa funcionários dos clubes do Rio, e suspendeu a partida entre Palmeiras e Flamengo, inicialmente marcada para este domingo, às 16 horas, no Allianz Parque, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro. A CBF terá de encontrar uma nova data.

O Sindeclubes havia ajuizado uma ação civil pública na sexta-feira pedindo o adiamento do confronto até que os funcionários do Flamengo que foram infectados pela covid-19 pudessem cumprir todo o período de quarentena. Há mais de 30 casos de coronavírus, entre jogadores, membros da comissão técnica e outros profissionais do departamento de futebol.

Na ação civil pública, à qual o Estadão teve acesso, a entidade alega que 21 profissionais estão escalados pelo clube para o jogo e enxerga "inegáveis riscos sanitários e médicos" na realização da partida porque vários desses colabores estiveram no Equador, onde houve um surto de contaminação de covid-19 na delegação do Flamengo. Só no elenco, 16 atletas contraíram a doença.

O surto de coronavírus se deu após a passagem pelo Equador, onde o time rubro-negro jogou duas vezes em compromissos da Copa Libertadores da América. Primeiro, no dia 17, levou 5 a 0 do Independiente del Valle, e depois, na última terça-feira, venceu o Barcelona de Guayaquil por 2 a 1.

No despacho, o juiz Filipe Olmo afirmou entender que o sindicato, com o pedido de liminar, queria "a manutenção da saúde e integridade física dos empregados, jogadores e do restante do elenco", contrariando, assim, a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que havia negado o pedido de suspender o jogo.

"Em razão dos eventuais resultados falso negativos e da possibilidade de haver infectados dentro do período de incubação, não há garantia de que os empregados saudáveis não terão contato com outros empregados que possam estar infectados", diz trecho da decisão do magistrado.

"Manter a partida implicaria risco demasiado para a saúde de jogadores das duas equipes, comissão técnica e demais empregados. Além disso, há risco de contaminação dos familiares, quando do retorno para casa", acrescenta Olmo.

Em caso de descumprimento da medida, a Justiça do Trabalho estipulou multa de R$ 2 milhões, valor que, se for pago, será revertido para instituições de saúde no combate à covid-19.

O Sindicato dos Empregados em Clubes, Federações e Confederações Esportivas e Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (Sindeclubes) tem como presidente José Pinheiro dos Santos, que trabalha no Flamengo. Ele é funcionário do departamento de segurança do clube. O pedido para que a entidade fosse à Justiça tentar adiar o jogo teria partido de empregados do rubro-negro, preocupados com a saúde.

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