Justiça alemã prende árbitro corrupto

O árbitro Robert Hoyzer, figura central do esquema de manipulação de resultados que abalou o futebol alemão, foi preso hoje, sob acusação de fraude. A promotoria pública de Berlim, em comunicado, justificou o pedido de prisão preventiva alegando que o juiz poderia tentar fugir do país. Hoyzer, de 25 anos, confessou ter recebido 67 mil e um televisor de três irmãos croatas para interferir ou tentar interferir no resultado de jogos da Copa da Alemanha, da 2.ª e 3.ª Divisões. No mesmo caso, a Federação Alemã de Futebol (DFB) decidiu suspender mais um juiz, o quinto desde as primeiras denúncias. Torsten Koop, experiente árbitro da Bundesliga, foi afastado por não ter denunciado uma tentativa de suborno que sofreu da mesma máfia croata. Ao todo, 25 pessoas são investigadas. Os três irmãos croatas acusados de participar dos subornos estão presos. CONFISSÃO - Na sexta-feira, a DFB divulgou algumas declarações feitas por Hoyzer em seu depoimento aos promotores de Berlim. O árbitro admitiu ter pedido ao capitão do Paderborn, da 3.ª Divisão, que caísse na área e cavasse pênalti, que ele certamente marcaria. "Vamos, faça alguma coisa", disse Hoyzer a Thijs Waterink, o holandês capitão do Paderborn, que venceu o Hamburgo por 4 a 2, na Copa da Alemanha. No mesmo jogo, Hoyzer deu dois pênaltis duvidosos contra o Hamburgo, quando o time vencia por 2 a 0, e expulsou o atacante Mpenza. Antes do depoimento, Hoyzer disse ao jornal Bild que chorou muito depois da confissão e pensou até em cometer suicídio. O árbitro revelou também que sua mãe desmaiou, quando lhe falou do esquema, e seu pai, um ex-juiz, vomitou por horas. Ao programa de Johannes B. Kerner, um dos mais assistidos da TV estatal alemã ZDF, Hoyzer revelou que "grandes quantias de dinheiro" o cegaram. "Sei que vou viver com o fato de que as pessoas vão me amaldiçoar ou ameaçar me bater, quando cruzarem comigo nas ruas", atestou. Durante o programa, que bateu recordes de audiência, Hoyzer contou como foi seduzido pelos croatas. "Como árbitro, ganhava 3 mil por mês. A máfia me espionou pela internet e atacou meu ponto mais fraco, a cobiça." O árbitro confessa ter recebido para manipular pelo menos quatro jogos, mas diz que interferiu só em Paderborn e Hamburgo. Em dois, tentou mas não conseguiu. Em outro não precisou agir.

Agencia Estado,

12 de fevereiro de 2005 | 18h54

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