Alejandro García/EFE
Alejandro García/EFE

Justiça brasileira pode condenar presidente do Barcelona a até 8 anos de prisão

Sandro Rosell é acusado de se beneficiar financeiramente de contrato, sem licitação, para promover o amistoso da seleção brasileira contra Portugal, em 2008

AE

12 de março de 2013 | 21h31

BRASÍLIA - O empresário Sandro Rosell, presidente do Barcelona, um dos clubes mais prestigiados do mundo, é réu na Justiça brasileira e pode ser condenado a até oito anos de reclusão se for condenado por uso de documento falso e má-fé para se beneficiar financeiramente do contrato, sem licitação, para promover o amistoso da Seleção Brasileira contra Portugal, em 2008. A ação, que corre em segredo de Justiça, foi movida pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e aceita há um mês pela 8ª Vara Criminal do Distrito Federal, segundo notícia divulgada na edição de ontem da Folha de S. Paulo.

Além desse processo criminal, corre há um ano na quinta vara da fazenda pública de Brasília uma ação de improbidade sobre o mesmo caso. Nela, o Ministério Público acusa a empresa Ailanto Marketing Ltda., de Rosell, amigo do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, de fraude no contrato. Assinado às pressas, sem transparência, o contrato, segundo a denúncia, está "eivado de vícios" e contém indícios de que houve "um pacto para desviar dinheiro público". O MP quer também a devolução do dinheiro pago à empresa do cartola, R$ 9 milhões.

O amistoso, vencido pelo Brasil por 6 a 2, foi realizado no Estádio Bezerrão, na cidade satélite do Gama. O contrato foi assinado pela sócia brasileira da Ailanto, Vanessa Almeida Precht, também alvo da denúncia. A empresa ganhou o contrato uma semana antes do jogo. O dinheiro foi pago em tempo recorde, por ordem pessoal do então governador José Roberto Arruda, passando por cima de normas contábeis e de parecer contrário da Procuradoria Geral do DF. Arruda também virou réu na ação de improbidade.

Investigações policiais revelaram que Rosell teria enviado R$ 1 milhão para sua conta pessoal após o jogo. Outros R$ 705 mil teriam sido depositados na conta de Teixeira pela Ailanto. O advogado Antenor Madruga, que defende Rosell no Brasil, disse que a Ailanto tinha os direitos da partida, negou a falsificação do documento que atestava a qualificação técnica da empresa para ganhar o contrato e chamou a denúncia de "irresponsável, vergonhosa e fruto de um trabalho malfeito". O que está em jogo, segundo ele, são os direitos sobre o amistoso, adquiridos legalmente por Rosell.

Teixeira, que hoje vive nos Estados Unidos, negou na ocasião envolvimento nas irregularidades e disse que os direitos do jogo pertenciam à cervejaria Ambev, patrocinadora da seleção, e que a CBF não embolsou nada naquele amistoso. Na defesa prévia entregue à Justiça, Arruda informou que o evento atendeu ao interesse público e estratégico do DF, que na época reivindicava que Brasília fosse incluída como cidade-sede da Copa de 2014. Garantiu que as cláusulas do contrato foram cumpridas e que não houve dano ao patrimônio público.

 

 

 

 

 

 

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