Walter Bieri/EFE
Walter Bieri/EFE

Justiça da Suíça quer ouvir o presidente Marco Polo Del Nero

Depoimento é considerado de 'interesse' para as investigações

Almir Leite e Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 17h00

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, poderá ter de dar explicações à Justiça suíça se voltar ao país. Seus esclarecimentos são considerados importantes nas investigações que apuram corrupção na Fifa no processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e de outros contratos ligados ao futebol. A entidade fará uma reunião do Comitê Executivo em 20 de julho. Del Nero é membro do comitê e, segundo sua assessoria, irá a Zurique.

Na última sexta, a Justiça suíça confirmou ao Estado que o nome de Del Nero está entre as pessoas “de interesse” para que sejam interrogadas, e não descarta que pode aproveitar a reunião marcada por Blatter para entrevistá-lo. 

Ele não está entre os indiciados, mas como integrante do Comitê Executivo na Fifa nos últimos dois anos o brasileiro passou a fazer parte do grupo que os investigadores chamam de “o governo do futebol”. Blatter convocou a reunião para que se defina a data da eleição na entidade e os detalhes de sua reforma.

A princípio, de acordo com uma autoridade da polícia suíça, Del Nero não corre risco de prisão. Mas se retornar ao país dificilmente escapará de um interrogatório - mesmo porque a forma como deixou Zurique e a própria Suíça em 28 de maio, dia seguinte à prisão de vários dirigentes e véspera da eleição na Fifa, foi considerada “abrupta e estranha”.

Del Nero, à época, alegou que estava abandonando a reunião da Fifa que definiu a reeleição de Blatter (renunciaria logo depois) e a manutenção do atual sistema de repescagem nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 (o quinto colocado da América do Sul continua na disputa por uma vaga) porque entendeu ser necessário voltar ao Brasil - o presidente da CBF não poderia se ausentar de suas funções num momento de crise, disse.

Na quinta-feira, por meio de sua assessoria, o presidente da CBF disse não saber da intenção da Justiça da Suíça de ouvi-lo, mas garantiu que está à disposição. “O presidente desconhece a possibilidade (de ser inquirido), mas está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.”

Originalmente os suíços abriram investigações para determinar de que forma as Copas de 2018 e 2022 foram selecionadas. Naquele momento da eleição, em 2010, Del Nero não fazia parte da Fifa e quem votou foi Ricardo Teixeira. 

Por esse motivo, dez pessoas foram inicialmente selecionadas para que fossem interrogadas com prioridade. Seriam membros da Fifa que votaram em 2010 e que não vivem na Suíça, como o africano Issa Hayatou e o belga Michael D`Hooge. 

Mas desde o dia 27 de maio, quando a Justiça confiscou milhões de páginas de documentos da sede da Fifa e da empresa que organizava jogos da seleção brasileira, a Kentaro, os investigadores admitiram que o processo foi ampliado. 

Nesse caso, Del Nero passa a ser uma peça importante para que os investigadores entendam o processo. “Teremos entrevistas formais com todas as pessoas relevantes”, indicou no último dia 17 de junho o procurador-geral da Suíça, Michael Lauber. Segundo ele, ninguém estaria excluído. Logo depois, disse. “Esse é um caso aberto e não sabemos ainda para onde vai nos levar.”

Pesa o fato de que, no indiciamento de José Maria Marin nos Estados Unidos fica claro que outros membros da CBF também fariam parte de suspeitas. Enquanto Del Nero hesita em fazer a viagem para a Suíça, os advogados da Fifa tentam entender quais seriam os riscos que os cartolas enfrentariam se viajassem para Zurique. Uma das garantias que receberam é que, da parte dos suíços, o que haveria por enquanto seriam “entrevistas”.

Mas assim como ocorreu em maio, o temor é de que um pedido do FBI seja feito dias antes do encontro e que mais prisões ocorram. No caso das detenções há um mês, o Departamento de Justiça da Suíça recebeu o pedido americano cinco dias antes da operação e manteve sigilo absoluto. O caso chegou até o conselho de ministros do país. 

Uma opção que não é descartada é que o Comitê Executivo da Fifa volte a se reunir na Rússia para o sorteio das chaves da Eliminatória da Copa de 2018, no dia 25 de julho. Moscou já deu garantias de que os cartolas estarão blindados e que não teriam nada a temer.

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