Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Justiça dos EUA adia decisão sobre data de julgamento de Marin

Caso envolvendo dirigentes do futebol continua colhendo provas

JAMIL CHADE, correspondente em Genebra, Thiago Mattos, especial para O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2016 | 21h05

A Justiça dos Estados Unidos resolveu nesta quarta-feira adiar uma decisão sobre a data do julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e de outros dirigentes da Conmebol e da Concacaf presos por causa da participação no escândalo de corrupção na Fifa e nas confederações continentais.

Na audiência que ocorreu na manhã desta quarta-feira, no Tribunal do Brooklyn, em Nova York, os promotores reforçaram o que já haviam dito em carta enviada alguns dias antes ao juiz Raymond Dearie. "A investigação está em andamento e continua a receber testemunho de uma variedade de fontes, que inclui indivíduos, entidades e governos estrangeiros", afirmaram os promotores.

Segundo eles, a agenda para o caso exige um imenso esforço de todas as partes envolvidas, tendo em vista as "volumosas descobertas, a duração da extorsão, a complexidade das transações financeiras e das relações dos conspiradores".

A audiência desta quarta-feira estava marcada para discutir calendário, mas diante do assombroso volume de novos documentos a serem anexados ao caso, houve embate com relação à definição das novas fases do processo entre a promotoria e a defesa, que quer mais tempo para se debruçar diante das novas informações. Os promotores sugeriram que o julgamento seja agendado para fevereiro, mas a defesa de Marin se opôs à data.

"O governo precisa entregar as provas para a defesa e aí os advogados têm um prazo para analisar esses documentos que são estimados entre 700 e 900 milhões de páginas", disse Júlio Barbosa, um dos advogados de Marin. "Queremos ir para o julgamento preparados".

Com o apelo da defesa, o juiz Raymond Dearie adiou mais uma vez a nova audiência que discute o status do processo, agora marcada para 3 de agosto. Assim, a data para o julgamento pode acabar também sendo protelada. Ao fim da audiência, o juiz sinalizou que divulga a data para o julgamento nos próximos dias.

AUDIÊNCIA

Foi a primeira vez em que o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, que foi extraditado para os Estados Unidos em novembro do ano passado, dividiu o cercadinho dos réus com tantos acusados no Tribunal do Brooklyn. Além do brasileiro estiveram presentes os guatemaltecos Héctor Trujillo e Brayan Jiménez, o costa-riquenho Eduardo Li, o venezuelano Rafael Esquivel e o britânico Costas Takkas.

Desde a sua chegada ao tribunal, Marin estava sorridente, aparentou tranquilidade durante o tempo em que esteve presente e cumprimentou discretamente os outros réus. Marin chegou ao tribunal por volta das 10h30 acompanhado de seus advogados e vestia uma tornozeleira eletrônica na perna esquerda. Desde maio, o ex-presidente da CBF não usa mais vigilância 24 horas.

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