Ruben Sprich/Reuters
Ruben Sprich/Reuters

Justiça dos Estados Unidos divulga acordo com Chuck Blazer

Cartola se comprometeu a revelar o que sabia sobre a Fifa

Altamiro Silva Junior, correspondente em Nova York, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2015 | 20h12

A Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira o acordo de cooperação que o cartola Chuck Blazer, norte-americano que fez parte do comitê executivo da Fifa e foi secretário-geral da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte e Central e do Caribe), assinou em 2013. O texto mostra que o ex-dirigente se comprometeu a revelar tudo o que sabia, participar de reuniões com os promotores e ainda devolver US$ 2 milhões referentes a propinas que recebeu pela venda irregular de ingressos para as Copas entre 1994 e 2002 e outros delitos. 

 

O acordo, de 19 páginas, foi relevado depois que nove veículos de comunicação dos EUA, incluindo o The New York Times, entraram na Justiça com pedido para sua divulgação. O juiz que cuida do caso Raymond Dearie revelou em um documento divulgado junto com o acordo que o governo dos EUA foi contra a publicação do material, alegando que poderia comprometer o andamento das investigações da corrupção no futebol, que continuam sendo feitas, e colocar em risco a própria segurança de Blazer. O juiz, porém, discordou destes argumentos e pediu a publicação até a data desta segunda, 15. O acordo saiu praticamente sem edição, apenas com algumas assinaturas encobertas com tinta preta. 

 

Além dos US$ 2 milhões, Blazer se compromete a pagar uma quantia adicional que ainda seria definida pela Justiça. No mesmo acordo, o cartola se comprometeu a não revelar o que sabia a terceiros, a menos que a Justiça liberasse, e a "colaborar totalmente" com as investigações. Fontes da Justiça dos EUA disseram ao New York Times que essa colaboração incluía a gravação de conversas de Blazer com dirigentes da Fifa e de outras organizações.

Ao assinar o acordo e se mostrar disposto a cooperar, Blazer se livrou de acusações criminais de recebimento de propinas e transferência irregular de recursos para outros países utilizando bancos com operações nos EUA. Para isso, ele reconheceu que aceitou propinas, ao redor de 1992, na escolha do país sede da Copa de 1998, realizada na França. Blazer também reconheceu irregularidades, de acordo com o documento divulgado hoje, na venda de ingressos para as Copas do Mundo realizadas entre 1994 e 2002. Também confirmou o recebimento de propinas referentes às Copas de Ouro, organizadas pela Concacaf, e realizadas entre 1996 e 2003.

 

No início do mês, o juiz Raymond Dearie revelou a transcrição, com detalhes editados, do depoimento de Blazer, que foi dado em segredo de Justiça e no qual ele fala do recebimento de suborno para a escolha da França como país sede da Copa de 2008 e da África do Sul em 2010. Blazer se declarou culpado de dez acusações, que incluíram corrupção no futebol, extorsão, transferência irregular de pagamentos e evasão de divisas.

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