Montagem/AP
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Justiça dos Estados Unidos quer extradição de José Maria Marin

Procuradora-geral quer detidos em solo americano para julgamento

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, Estadão Conteúdo

27 de maio de 2015 | 19h17

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Flynch, afirmou que o próximo passo do processo que investiga a corrupção no futebol é o pedido de extradição dos sete dirigentes da Fifa que foram presos na manhã desta quarta-feira na Suíça, incluindo o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). "Eles terão um julgamento justo se trazidos a este país", afirmou.

"O próximo passo nesse processo é fazer com que eles venham aos Estados Unidos para responder a essas acusações", afirmou em entrevista coletiva nesta quarta-feira. "Vamos enviar uma ordem para as autoridades suíças para que sejam transferidos para a nossa custódia", completou. Loretta frisou que os investigadores dos EUA trabalharam de forma "bastante cooperativa" com a Suíça e espera manter esse bom relacionamento no futuro.

A entrevista atraiu mais de 100 jornalistas do mundo todo e durou cerca de 50 minutos, reunindo boa parte das principais autoridades da Justiça norte-americana, com todos destacando em sua apresentação que as investigações vão continuar e novas prisões podem ser feitas a qualquer momento. "A nossa mensagem para a Fifa e todo o futebol é que nossa investigação vai continuar, o que a Fifa faz internamente é uma questão da organização e seus membros. A mensagem é clara: as autoridades dos EUA e de outros países não vão tolerar essa conduta de corrupção daqui em diante", disse a procuradora.

Autoridades do alto escalão do mundo de futebol, ressaltou Loretta, das quais se esperava que zelassem pelas regras e boas práticas dos jogos e competições, acabaram "corrompendo" o esporte para "satisfazer interesses pessoais e se enriquecerem". "Começando em 1991, duas gerações de executivos da Fifa, a Concacaf, a Conmebol, que representa e organiza o futebol na América do Sul, usaram seus cargos de confiança dentro das suas respectivas organizações de solicitar propina a marqueteiros esportivos em troca de direitos comerciais sobre campeonatos de futebol", afirmou Loretta. As práticas irregulares, afirmou, foram feitas "repetidamente, ano após ano, campeonato após campeonato".

Loretta citou que apenas para a Copa América de 2016, que será nos EUA - a primeira vez que o campeonato vai ocorrer em cidades fora da América do Sul -, a investigação do Departamento de Justiça descobriu que a competição foi usada como veículo para um esquema de propinas que somam US$ 110 milhões. Esse montante soma, segundo ela, um terço do custo legítimo dos direitos dos campeonatos envolvidos.

Na manhã desta quarta, uma operação de busca foi feita no escritório da Concacaf em Miami, informou a procuradora. O fato de a entidade ter sede nos EUA é um dos motivos que levaram o país a investigar o futebol, afirmou o procurador-geral de Nova York, Kelly Currie. O outro foi que parte importante dos pagamentos de propina e lavagem de dinheiro no esquema de corrupção e extorsão passou por bancos norte-americanos e empresas de remessas de recursos com sede no país. Na entrevista, Currie não revelou os nomes das instituições. Além disso, a Lei de Práticas Corruptas Estrangeiras (FCPA, em inglês) permite que as autoridades norte-americanas investiguem estrangeiros com negócios no país, mesma regra pela qual o escândalo de corrupção na Petrobrás está sendo investigado pelo Departamento de Justiça.

BLATTER

Loretta foi questionada logo na primeira pergunta sobre as razões pelas quais o presidente da Fifa, Joseph Blatter, não ter sido acusado no processo, que inclui o atual vice-presidente da entidade e o anterior. "Eu não vou comentar sobre indivíduos que não estão sendo mencionados hoje porque isso seria injusto com eles. O que eu posso dizer é que essa investigação está em andamento e vai continuar, mas neste momento não há investigação sobre ele (Blatter)", afirmou.

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