Justiça nega pedido de desligamento de Dênis do Santos

Atual contrato do jogador se encerra em maio, mas o clube alega que foi firmado um novo vínculo até 2011

Sanches Filho, Especial para O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2008 | 17h23

O Santos foi surpreendido na manhã desta quinta-feira com a informação de que a 3.ª Vara da Justiça do Trabalho da cidade negou a liminar pedida pelo lateral-direito Dênis em ação que move contra o clube alegando ter sido coagido a renovar contrato até 2011. A decisão do juiz Roberto Vieira de Almeida Rezende frustra a transferência do jogador para o Corinthians, onde, segundo seus familiares, ganharia o dobro dos R$ 25 mil mensais que recebe atualmente. Está marcada para o dia 15 de maio uma nova audiência na 3ª Vara para que os advogados do atleta apresentem documentos para fundamentar as alegações. Dênis retorna na manhã desta sexta-feira do México com a delegação santista, onde o time foi derrotado por 3 a 2 pelo Chivas Guadalajara na quarta-feira. Essa é a segunda tentativa fracassada do Corinthians de tirar um jogador do Santos em pouco mais de três meses. A primeira envolveu Rodrigo Souto, no início da temporada. O clube da Baixada se sentia protegido por um contrato de gaveta de dois anos e por pouco não perdeu o volante. A transferência para o Corinthians estava acertada, com base na certeza dos assessores do jogador de que a Justiça Desportiva julgaria ilegal o contrato de gaveta.A manobra fracassou porque um outro grande da capital ficou sabendo das negociações e ligou para presidente Marcelo Teixeira, manifestando interesse pelo jogador. Para reverter o quadro, o Santos teve que se desdobrar. Primeiro comprando os direitos federativos de Souto por US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 4,25 milhões) à vista e dando a ele um grande aumento, além de estipular pesada multa para o caso de algum clube tentar tirá-lo da Vila.Mesmo assim, Rodrigo Souto só não foi para o Parque São Jorge porque, a pedido de Teixeira, Andrés Sanchez abortou as negociações. Na semana passada, o presidente esperava a retribuição, com Santos entrando em campo com a força máxima para derrotar a Ponte Preta, no domingo, resultado que poderia classificar o Corinthians caso o seu time ganhasse do Noroeste, em Bauru, o que não aconteceu. Mas, o dirigente santista despachou boa parte dos titulares para o México no sábado, o que foi julgada uma ingratidão pelo presidente corintiano.No caso de Dênis, o Santos está mais protegido. Como o lateral ficou inativo 14 dos 24 meses do seu contrato em razão de ter se submetido a duas cirurgias de joelho e o clube jamais deixou de pagar seus salários e de cuidar de sua recuperação, agora tem direito à renovação do vínculo. É uma situação semelhante a que Nilmar enfrentou no Corinthians.O agente Ângelo Pimentel, que cuidava dos interesses de Dênis até outubro passado, estranhou a atitude do jogador. "Para mim, isso foi uma surpresa. É um absurdo porque acertamos dois contratos no ano passado: o que vence em maio e o outro que se estenderá até 2011 e não houve nada de errado", disse o procurador, por telefone.É histórica essa briga entre Corinthians e Santos de um tirar jogador do outro. Os casos mais famosos aconteceram entre 2000 e 2002. Utilizando-se de manobras judiciais e pagando salários de padrão europeu, o Santos ‘roubou’ Rincón e Marcelinho Carioca, titulares fundamentais de um Corinthians campeão. Porém, o futebol de ambos na Vila Belmiro foi um fiasco e até hoje Teixeira é cobrado pelo alto prejuízo que causou ao clube. Em seguida, o Corinthians deu o troco levando Deivid para o Parque São Jorge.O episódio mais recente foi a contratação de Betão, desprezado pelo Corinthians, pelo Santos. E a próxima investida corintiana deverá ser em cima de Kleber Pereira. O irmão e procurador do artilheiro do Paulistão, Daniel Pereira, confirma ter conversado com gerente de futebol do Corinthians, o ex-zagueiro santista Antônio Carlos Zago, e chega a demonstrar entusiasmo pela possibilidade de o irmão trocar de clube. Ele promete se encontrar com Teixeira neste sábado e deixa claro que, ao contrário do dirigente não considera válido o contrato de gaveta que o irmão tem com o clube. E adianta que vai pedir um contrato de dois anos e meio e recompensa pelo que Kleber deixou de ganhar no México ao se transferir para o Santos.

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