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Justiça suíça derruba efeito suspensivo e Guerrero ficará sem jogar até 2019

De acordo com as informações passadas pelo tribunal para os advogados, a WADA foi consultada e considerou que o processo do CAS foi correto

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2018 | 10h04

Num novo capitulo de uma novela jurídica pouco comum no mundo do futebol, o jogador do Internacional de Porto Alegre, Paolo Guerrero volta a ficar de fora do futebol. Nesta quinta-feira, a Justiça suíça derrubou um efeito suspensivo que o Tribunal Federal do país europeu havia concedido à sua pena original e que acabou permitindo que o peruano pudesse disputar a Copa do Mundo na Rússia.

Guerrero tem vivido uma intensa batalha jurídica. A punição original por doping era de um ano, o que o deixava de fora do Mundial de 2018. Mas, depois de um recurso na própria Fifa, a pena caiu para seis meses e terminava em maio, permitindo que o jogador pudesse ir ao Mundial.  

Mas, num recurso apresentado pela Agência Mundial Anti-Doping, o Tribunal Arbitral dos Esportes (CAS) reverteu a decisão da Fifa e aplicou uma suspensão de até 14 meses, que o tirava da Copa. Guerrero chegou a ir até a Fifa, em Zurique, para pedir uma intervenção do presidente da entidade, Gianni Infantino. Mas sem sucesso.

Sua última cartada era sair dos tribunais esportivos e levar à corte comum, na Suíça. Guerrero, assim, solicitou que o seu caso fosse tratado apenas depois do Mundial, o que acabou também sendo aceito pelo CAS.

Semanas antes da Copa, o presidente do Tribunal Federal da Suíça concedeu "efeito suspensivo à título provisório ao recurso apresentado por Paolo Guerrero contra a sentença do CAS". "Como consequência, Guerrero poderá participar da Copa do Mundo na Rússia", declarou a corte, na época.  

A lógica era a seguinte: se eventualmente Guerrero fosse inocentado ao final do processo, teria sido uma injustiça o impedir de ir ao Mundial. Um dano irreparável estaria sendo cometido. 

Agora, com o fim da Copa e a volta da análise do caso, a Justiça derrubou esse efeito suspensivo e sua punição voltou a ser aplicada. Nos próximos meses, o tribunal considerará o mérito do recurso. Mas, pelas indicações dadas aos advogados para acabar com o efeito suspensivo, ficou claro que a corte dificilmente inocentará o jogador. Pelo sistema legal da Suíça, não cabem mais recursos à decisão e ele deve só voltar a jogar em 2019. 

De acordo com as informações passadas pelo tribunal para os advogados, a WADA foi consultada e considerou que o processo do CAS foi correto. 

O peruano respondia à investigação por ter testado positivo para uso de benzoilecgonina, um metabólito da cocaína, em exame realizado depois do empate em 0 a 0 entre Argentina e Peru, em Buenos Aires, pela penúltima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2018, no dia 5 de outubro. Por isso, foi suspenso preventivamente pela Fifa. A principal suspeita era justamente sobre o uso de cocaína, mas o atacante garantiu que esta possibilidade já foi descartada pela entidade.

Por conta da punição, Guerrero ficou impedido de defender a seleção peruana nas duas partidas da repescagem da Copa do Mundo de 2018, diante da Nova Zelândia. Mesmo assim, o país garantiu vaga no Mundial, que seria o primeiro do atacante.

Inicialmente, a Fifa alertou que optou por uma punição e não ficou convencida de que a substância encontrada poderia vir da folha de coca. "Depois de analisar todas as circunstâncias do caso, a Comissão de Disciplina decidiu suspender Paolo Guerrero durante o período de um ano", disse um comunicado da Fifa, de dezembro. "Por ter dado positivo por uma substância proibida, o jogador violou o artigo 6 do regulamento antidoping da Fifa", explicou.

No Peru, a reviravolta do caso havia mobilizado até a presidência do país, na esperança de uma boa atuação na Copa.  A seleção peruana, porém, foi eliminada na primeira fase. Ele, porém, poderá jogar a Copa América de 2019.

 

 

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