Ruben Sprich/Reuters
Ruben Sprich/Reuters

Justiça suíça fecha cerco contra Blatter e faz nova operação

MP confisca documentos sobre escolhas das Copas de 2018 e 2022

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2015 | 14h38

O Ministério Público da Suíça confiscou novos documentos eletrônicos do gabinete de Joseph Blatter, de seu braço direito, Jerome Valcke, e dos diretores financeiros da entidade, em mais uma etapa das operações contra a corrupção na Fifa. Os dados foram levados nesta quarta-feira e um novo processo criminal foi aberto pela Procuradoria Geral da Suíça. A Fifa negou que tenha sido alvo de uma operação policial e insiste que foi ela que entregou a informação, ao ser solicitada. Segundo a entidade, a entrega chegou a ser negociada, com a Fifa tendo sido avisada com algumas horas de antecedência.

Ainda assim, o MP garantiu que o confisco permitiu a abertura de mais um caso penal contra a Fifa. Um dos focos da operação foi a obtenção de dados sobre as candidaturas para a Copa de 2018, vencida pela Rússia, e 2022 pelo Catar. O MP queria todos os dados técnicos sobre cada um dos participantes, além de e-mails e documentos envolvendo a direção da entidade. No dia 27 de maio, a Fifa havia sido alvo de uma operação, no mesmo momento em que sete cartolas eram presos em Zurique, entre eles José Maria Marin, da CBF.

Naquele momento, mais de 2 terabites de documentos eletrônicos foram confiscados, no que representaria o equivalente a 150 milhões de laudas de word. A Fifa, naquele momento, também insistiu que estava colaborando e que a ação era resultado de um caso aberto pela própria entidade. Blatter, naquele dia, ainda não havia renunciado e seu assessor de imprensa, Walter de Gregório, insistiu que era um “bom dia para a Fifa”. Pressionado, o suíço renunciaria dias depois.

Segundo fontes no MP, os suíços examinaram parte do material inicial e agora buscam novas evidências do que pode ser um caso de lavagem de dinheiro e corrupção. Até novembro do ano passado, a Justiça não tinha permissão para fazer operações na Fifa. Mas as leis mudaram diante da pressão da classe política suíça para uma revisão do status e privilégios da Fifa no país.


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