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Justiça tardia

Tribunais esportivos no Brasil são lentos e decisões provocam distorções em campeonatos

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2018 | 03h00

Jailson atropelou Renê Júnior no clássico em que o Corinthians derrotou o Palmeiras por 2 a 0, no dia 24 de fevereiro, pela 9.ª rodada do Paulista. Por causa do lance, a arbitragem marcou pênalti e o goleiro foi expulso. Cumpriu suspensão automática na partida seguinte, como de praxe, e depois retomou o lugar de titular na equipe. Participou do duelo com o Novorizontino, na noite de sábado, na abertura das quartas de final do Estadual.

Hoje, no entanto, Jailson desfalcará o Palmeiras, no novo encontro com o rival de Novo Horizonte, pois deve cumprir mais dois jogos de gancho, por causa daquela dividida atrapalhada e dos desdobramentos no duelo. Até aí nada de anormal; não será o primeiro atleta a receber punição adicional por atitude considerada violenta.

Estapafúrdio é o momento em que veio a sentença: 23 dias após o incidente. Esse foi o tempo que o tribunal esportivo da Federação Paulista de Futebol levou para colocar o caso em pauta e julgá-lo. Após aquele dérbi, o Palmeiras ainda jogou mais três vezes pela fase de classificação da competição doméstica, além da apresentação pelas quartas no fim de semana. Jailson poderia ter cumprido a pena bem antes.

A demora em si já é absurda, obsoleta, desprovida de lógica. Não acompanha o desenvolvimento e as peculiaridades dos torneios. Vai contra o profissionalismo que se exige em todas as esferas envolvidas no futebol. A lentidão torna-se desproporcional a ponto de transformar em injustiça uma sentença que, vá lá, poderia fazer sentido, desde que aplicada no devido tempo.

Os julgadores consideraram adequado agravar a condenação de Jailson? Ok, que assim procedessem, então. Mas deveriam permitir que cumprisse durante a etapa anterior, com peso diferente da de agora - e da semifinal, já que não estará apto a jogar a próxima, se o Palmeiras confirmar a vaga. São desafios com pesos diferentes.

Esse procedimento expõe o anacronismo da justiça desportiva brasileira. E a burocracia, o desperdício de gente, de energia, o aumento de custos. Tome-se o exemplo notável da Itália. Por lá, episódios de varejo, como esse do Jailson, têm rito sumário e 48 horas após a rodada, o giudice sportivo (o juiz) divulga sentenças: este absolvido, aquele condenado, tal time punido, tal árbitro advertido, etc. e tal. 

Casos mais graves passam para instâncias superiores com direito a advogados de defesa, acusadores, júri. Há mais transparência e respeito a todos os envolvidos, incluído aí o público. Não faz sentido deixar casos adormecerem semanas ou meses nos escaninhos e serem retomados quando já estão mais frios do que inverno russo.

A propósito de frieza: Jailson desceu a lenha na arbitragem, no calor da hora, na expulsão, e tomou um jogo de suspensão. Dudu e o presidente Galiotte teceram críticas duras, mas mais tarde; portanto, teoricamente, mais calmos. Foram absolvidos. Não seria o caso de relevar quem falou intempestivamente, de sangue quente, do que aqueles que tiveram tempo para refletir? Vai entender...

Riscos alvinegros

Santos e Corinthians correm risco de ficar fora das semifinais? Sim, pelos tropeços dominicais. Mas ambos são superiores e Botafogo e Bragantino, adversários de hoje e amanhã, respectivamente. Para tanto, basta que joguem bola minimamente mais confiável do que em Ribeirão Preto (0 a 0) e Pacaembu (2 a 3). E saibam furar esquemas defensivos ferrenhos.

Shakhtar é Brasil!

Sei lá qual clube cedeu mais atletas para a seleção nos anos 2000. Mas, se falar Shakhtar, a chance de acertar é grande. O time ucraniano é fonte inesgotável para a amarelinha. Taí o Ismaily para confirmar: o moço foi chamado por Tite para o lugar de Alex Sandro.

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