Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Juvenal detona Aidar: 'é um predador e vai afundar o São Paulo'

Presidente demite antecessor e seus dois auxiliares mais próximos e aumenta o racha no Morumbi após desavenças da semana passada

Fernando Faro, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2014 | 17h48

A briga entre Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira. O presidente resolveu demitir o antigo aliado da diretoria das categorias de base e também afastou Marcos Tadeu Novais e José Geraldo Oliveira, homens de confiança de Juvenal e que controlavam o Centro de Treinamento de Cotia. A queda aconteceu no início da tarde e contou com um verdadeiro bate-boca entre os dois. Pessoas presentes ao encontro confirmaram que o tom foi ríspido de ambos os lados e cercado de muita tensão. Inconformado com a demissão, Juvenal não poupou críticas ao antecessor e disse que Aidar caminha para destruir o São Paulo.

"O Carlos Miguel é um predador que vai acabar com o São Paulo. Ele está demitindo todo mundo como um maluco e eu disse isso para ele. A traição é um processo terrível do ser humano e ele está traindo todos aqueles que o apoiaram", disparou Juvenal.

Aidar foi alçado à presidência com enorme apoio de Juvenal, que achou que o atual presidente - que já comandou o clube entre 1984 e 1988 - seria um nome de consenso para agrupar a situação, fragilizada por causa do fim da gestão turbulento que quase culminou com a queda do São Paulo para a Série B no ano passado. Juvenal lembra que o time que está em segundo lugar no Campeonato Brasileiro foi montado pela gestão passada. 

"O Kaká caiu do céu e o Alan Kardec ele contratou com o dinheiro que deixei para ele em caixa, o mesmo dinheiro que ele dizia não ter. Sabe por que está tudo lindo para ele? Porque o time que nós montamos está ganhando", criticou. O ex-presidente são-paulino ainda foi além e disse que o rompimento com o ex-aliado e agora desafeto tem como único objetivo a aprovação da cobertura do Morumbi, que não saiu do papel graças ao bloqueio da oposição no dia da eleição - o Conselho Deliberativo não atingiu os 75% de quórum necessários para a aprovação.

"Agora o Carlos Miguel quer aprovar um projeto que ninguém sabe qual é, quem são as empresas, quanto custará, nada! E quer fazer isso com maioria simples, querem aprovar um pacote fantasma. Eu disse para ele, 'Carlos Miguel, você está fazendo um tratamento de beleza e acho que os remédios estão afetando seus neurônios'. Ele é capaz até de demitir o Muricy, porque o Muricy não aceita aquele monte de jogadores que o Carlos Miguel tenta empurrar. Lá dentro todo mundo sabe que ele é assim, por isso é bem capaz que uma hora ele demita o Muricy. Ele é um maluco".

O Estado tentou falar com Carlos Miguel Aidar, que não atendeu às ligações. O presidente, no entanto, fez um comunicado oficial sobre a demissão de Juvenal Juvêncio.

VEJA COMUNICADO DE AIDAR

Comunico o fim da colaboração do Dr. Juvenal Juvêncio na diretoria por mim presidida. São Paulo Futebol Clube reconhece a importante contribuição que Juvenal sempre deu ao clube, primeiro como diretor, depois como presidente e por último como diretor novamente.


Neste momento em que o São Paulo Futebol Clube trilha novos caminhos, agradeço pessoalmente o empenho de Juvenal durante tantos anos e presto minha homenagem a esse grande são-paulino.


Carlos Miguel C. Aidar.

Presidente




 

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