Juvenal Juvêncio, o homem-forte do São Paulo

O fim das mal iniciadas negociações entre São Paulo e Rivaldo foi uma demonstração de força de Juvenal Juvêncio, diretor de futebol do clube. O presidente Marcelo Portugal Gouvêa fazia planos de apresentar Rivaldo em 10 de janeiro e os diretores do marketing pensavam até em um "presente de Natal", mas Juvenal, de 61 anos, colocou fim ao que chama de "uma quimera sem sentido".Ex-presidente no biênio 1988/89, Juvenal é um dos "cardeais" mais poderosos do São Paulo. Assumiu o cargo de diretor de futebol em maio deste ano, substituindo Carlos Augusto Barros e Silva, que sofria muitas críticas de Márcio Aranha, então vice-presidente do clube.Quando perguntaram a Juvenal como reagiria à críticas de Aranha, foi seco. "Pode ter certeza que ele não vai me criticar, não." Pouco tempo depois, Aranha pediu demissão. Juvenal é assim. Duro, franco, gosta de exercer o poder. Muitas vezes é indelicado. Disse que Arce não viria para o São Paulo porque é um lateral velho, com deficiência de marcação e que só sabe cobrar faltas.E, após acabar com a possibilidade da vinda de Rivaldo, proibiu os diretores Dorival Decoussau e Eduardo Morato, do departamento de marketing, de continuarem a falar sobre o assunto. Só ele fala. Como nessa entrevista à Agência Estado.AE - O Rivaldo ainda pode vir para o São Paulo?Juvenal Juvêncio - Pode, se alguém pagar tudo. Com nosso dinheiro, não. Um jogador que recebe 10 milhões de euros para rescindir contrato com o Milan, por mais que aceite uma redução de salários, estará muito acima do que podemos gastar.AE - O marketing do clube se movimentou para contratar o Rivaldo e o presidente Marcelo Portugal Gouvêa também o queria. Como o senhor brecou a negociação?Juvenal - Olha, você não vai me colocar contra o presidente. Expliquei que não dava e pronto. O que acontece é que nos clubes existem 1% de pessoas que entendem de futebol e 99% que são torcedores e sonhadores. Eu faço parte da primeira parte. Tenho os pés no chão. Falei que ele não ia jogar aqui e pronto. Os sonhadores precisam ver que o público de futebol hoje é de duas, três mil pessoas, público de futebol de salão.AE - Que tipo de time o senhor quer?Juvenal - Um time coeso e competitivo. Só o Pelé desequilibrava individualmente. Eu acredito é na união, com pessoas ganhando de forma parecida. Não quero alguém que ganha milhões por seis meses e fique com dores nas costas. E não estou falando do Rivaldo, que fique claro. O Ricardinho não ganha R$ 300 mil por mês. Se ele ganhasse isso eu me suicidaria. Não ganha nem a metade. E não é o maior salário do clube.AE - O senhor acredita nos jogadores que o Cuca indicou?Juvenal - Não foi ele que indicou. Esses jogadores eu estou observando há seis meses, traçando o perfil de todos para não errar. Por isso, contratei seis pessoas em sete dias. O fato de jogarem com o Cuca foi uma coincidência. Compare nossas contratações com as dos co-irmãos. Aliás, não existem co-irmão, é uma bobagem isso.AE - Dê um exemplo de contratação.Juvenal - O Rodrigo, da Ponte, tem a maior impulsão e a maior recuperação do futebol brasileiro. Perguntei para o Cilinho, o Careca, o Ronaldão, o Oscar e o Luís Fabiano. Só assim ele veio.AE - O time precisa de um volante. Qual é o seu preferido?Juvenal - O Tinga. Mas ele ganha R$ 120 mil por mês e isso ele não vai receber aqui. Se aceitar ganhar menos nós conversamos.AE - E atacante?Juvenal - O preferido é o Marquinhos, que jogava no Paraná Clube. Se ele não acertar com o Bayer Leverkusen nós lutaremos por ele.AE - O senhor afastou o Gabriel e o Leonardo Moura sem consultar o Rojas. Faria o mesmo com o Cuca?Juvenal - O Rojas sabia de tudo e aprovou. Ele pediu que a diretoria assumisse e eu assumi. Fomos criticados por jornalistas, mas dirigentes de outros clubes vieram nos cumprimentar.AE - LG ou Siemens? Juvenal - Isso é com o marketing. Eles resolvem e eles falam sobre isso.

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