Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Juvenal rebate Aidar e manda recado: 'Ainda tenho presença forte'

Ex-presidente do São Paulo se disse surpreso e fala em conservar a paz em nome do clube paulista, mas sinaliza que não irá recuar

Fernando Faro, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2014 | 07h00

"Sua pergunta é a mesma que me faço." Foi assim que Juvenal Juvêncio respondeu ao Estado quando questionado sobre a motivação que levou Carlos Miguel Aidar a bombardeá-lo com duras críticas. O ex-presidente resolveu confrontar seu antigo aliado e defender seu legado à frente do clube, agora sob forte ataque, e moveu as suas peças no delicado tabuleiro de xadrez que virou a política do São Paulo.

Juvenal ficou inconformado com as críticas, especialmente à situação financeira do clube, apontada por Aidar como caótica. “Deixei o clube com R$ 22 milhões em caixa, você sabe quantos clube têm isso no Brasil? Nenhum”, disse o ex-presidente, que vê o momento político como “bastante delicado”.

Aidar deixou grande parte do Conselho Deliberativo espantada com o teor dos ataques; até mesmo aliados rejeitaram a forma como a entrevista à Folha de S.Paulo foi conduzida. Aidar, entre outras coisas, disse que o São Paulo “parou no tempo” e reclamou das “benesses” distribuídas a conselheiros.

“O Carlos Miguel não pisava no clube há 24 anos. Não ia a jogos, a reuniões do Conselho, a nada. Apesar disso, fui buscá-lo e elegê-lo. Por muitas vezes deixei o tratamento (de um câncer na próstata) para fazermos reuniões. Fiquei muito surpreendido”, cutucou Juvenal.

A montagem do elenco entrou na alça de mira de Juvenal. “O Kaká caiu do céu e o Alan Kardec ele comprou à vista com o adiantamento dos direitos de TV da Globo que recebi três dias antes de deixar o mandato. Ele pagou pelo Kardec à vista. O resto do time nós que remontamos, nada saiu dele.”

Os ataques de Aidar nasceram pela insatisfação com o que ele enxergou como tentativas de interferência de Juvenal ao seu mandato. “Não falei com um jornalista, não fui a eventos, não pus os pés no CT, justamente para dar tempo a ele de se situar”, defende-se Juvenal.

O ex-presidente já avisou que não abandonará a diretoria de futebol de base, outro alvo de ataques de Aidar. “Aquilo não pode ficar entregue a aventureiros, é uma mina de ouro, é observação e arte. Temos 11 jogadores formados em Cotia que hoje estão na Barra Funda.”

Aliados de Juvenal acreditam que os ataques são parte de um acordo para que a oposição aprove a obra de cobertura do Morumbi. Segundo conselheiros ouvidos pelo Estado, os oposicionistas querem tomar o CT de Cotia do ex-presidente. Apesar das respostas duras, Juvenal diz que não pretende entrar em confronto com o atual chefe. “Conheço o Carlos Miguel há mais de 30 anos, acredito que foi uma desavença entre dois amigos. Não vou procurá-lo, deixe isso passar”.

Apesar das palavras conciliatórias, ele já age nos bastidores para minar o poder do sucessor em caso de novos ataques. O recado, entre uma frase e outra na entrevista, não deixa mentir. “Ainda tenho uma presença muito forte e sou muito respeitado pelos meus pares.”

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