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Juvenal: ‘Sou um grande vencedor’

Presidente são-paulino se defende das críticas com o argumento de que fez e continua fazendo muito pelo clube

Fernando Faro, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2013 | 09h00

SÃO PAULO - O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, procura um novo perfil para substituir o demitido Adalberto Baptista na diretoria de futebol, mas promete muito cuidado para decidir o escolhido. O que é certo, por enquanto, é que serão dois nomes contratados; um para gerir a área mais administrativa e um superintendente que fará a ponte entre a direção e os jogadores. “É preciso haver essa ligação, quero duas pessoas com perfis complementares para acertarmos essa questão de uma vez por todas”, disse o presidente por telefone ao Estado.

O maior desejo do homem forte do clube é encontrar um interlocutor hábil para tratar com o grupo. Esse foi um dos pontos centrais da queda de Adalberto, que tinha relação ruim com os jogadores e era criticado pela falta de diálogo e truculência no trato com eles. Juvenal não descarta um nome novo e de fora do futebol, mas sua principal prioridade é encontrar alguém que “fale a língua” dos boleiros. Na outra ponta, promete rigor para escolher um profissional de qualidade técnica para tratar das questões burocráticas e estratégicas.

“Para se fazer um contrato hoje em dia é necessário muito conhecimento dos meandros jurídicos e financeiros, temos uma série de cláusulas sujeitas a auditorias internacionais, esse tipo de coisa. Precisa dominar idiomas, porque hoje em dia tratamos com diversos países do mundo. Ainda não tenho um nome, mas estou terminando esse perfil”, disse Juvenal. O ex-volante Pintado, campeão da Libertadores e Mundial em 92 pelo clube, é um nome que agrada, mas pode ser contratado para cuidar das categorias de base em Cotia, função que também era exercida por Adalberto.

O dia seguinte à saída do diretor foi de alívio no elenco, que já não suportava mais o clima pesado. “Parece que saiu um caminhão daqui, os jogadores não aguentavam mais”, disse ao Estado um funcionário de longa data do CT da Barra Funda que tem fácil acesso aos atletas. Para Juvenal, no entanto, ter de se desfazer do seu principal aliado não foi tarefa simples. O presidente confiava cegamente no ex-diretor especialmente por causa das sua reconhecida habilidade como negociador.

“Ele era ameaçado de morte, chegou a deixar o celular em casa várias vezes. Estava absurdamente instável, ameaçavam a filha dele, coisas que ninguém merece passar”, explicou o presidente. “Perdemos um homem que conhece meio mundo, ousado, empreendedor.”

Autodefesa. Bombardeado de críticas pelo fraco desempenho da equipe na temporada, Juvenal saiu em defesa do seu legado. “Sou um grande vencedor, talvez o maior da história do clube. Eu me esforço para fazer as coisas certas, para reformar o Morumbi, investir em Cotia...”

O presidente comparou sua situação à do ex-presidente Laudo Natel. “Outro dia ele me disse que com ele foi a mesma coisa. Disse: ‘Apanhei por anos a fio, mas ainda assim fiz o estádio. Você está com o time desde 86 (como diretor de futebol). Recolocou o time na Libertadores. Esse é o processo, mas ninguém pode com a sua história’. Sei que tenho um bom legado também no social, são milhares de pessoas nas piscinas, oito quadras de tênis, cinco quadras poliesportivas... mas agora o time está levando pau no futebol agora e vai sobrar para mim, fazer o quê? Sei que a coisa é assim.”

Juvenal terá alguns dias de tranquilidade para definir o rumo do clube na pior crise de sua história. Segunda-feira, a delegação viaja para a Europa, mas ele ficará no Brasil trabalhando.

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