Satiro Sodré/Estadão
Mancini foi vice-campeão com o Santos em 2009 Satiro Sodré/Estadão

Juventude e experiência explicam oito finais santistas no Paulistão

Neymar, André, Ganso e Dracena marcaram história recente

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

Desde 2009, o Santos é presença constante nas finais do Campeonato Paulista. Até esta oitava final consecutiva – até agora foram quatro conquistas e três vices –, jogadores e técnicos apontam um ponto em comum: a presença de estrelas em ascensão e jogadores já tarimbados. 

Isso foi emblemático em 2009, o primeiro ano da série. “Aquele trabalho foi muito bacana”, diz o técnico Vagner Mancini, hoje no Vitória. “O Santos tinha um time experiente. Fui trocando algumas peças, lançando garotos até então desconhecidos, como Ganso, Neymar e André, e isso foi determinante para chegarmos à final”. 

Para o treinador, que hoje pode ser campeão baiano mesmo perdendo por 1 a 0 para o Bahia, aquele vice tem de ser valorizado. “Perdemos para uma grande equipe, liderada por Ronaldo Fenômeno”, recorda. 

Nos dois anos seguintes, a geração de Neymar e Ganso desabrochou e o time levantou duas taças seguidas. Para Elano, que está em sua terceira passagem pelo clube, aquele título foi marcante. “Foi meu primeiro título paulista. Sempre acho que o título mais importante é aquele que está por vir, mas aquele foi importante”, afirma. 

O título de 2012 marcou a consolidação de Neymar como e um dos melhores anos da carreira de Ganso. O lateral Léo afirma que foi um momento de reafirmação. “Foi muito importante, pois estávamos vindo de um questionamento enorme após a derrota na final do Mundial, no Japão (o Santos perdeu a final para o Barcelona por 4 a 0). Conquistar o Paulistão, poucos meses depois, voltou a mostrar a força do Santos”, diz o lateral. 

O ano seguinte seria o ano do tetra, feito que apenas o distante Paulistano havia conseguido nos longínquos anos 1940. Mas o arquirrival interrompeu o sonho. “As finais foram equilibradas. O Corinthians venceu em casa por 2 a 1. Na segunda partida, conseguimos abrir o placar com o Cícero, na Vila, mas eles empataram logo em seguida e não conseguimos levar pelo menos para os pênaltis. Foi duro ver a torcida deles fazer a festa na Vila”, diz Léo. 

Em 2014, o Santos viveu um drama que deixa seus ecos no jogo de hoje. Embora fosse favorito depois de ter feito a melhor campanha, o time acabou derrotado pelo Ituano nos pênaltis dentro do Pacaembu. Daquela equipe, só restou o zagueiro David Braz. 

Três jogadores – Aranha, Mena e Arouca – saíram do clube depois de recorrer à Justiça por causa de atraso nos salários. Embora tenha feito um acordo recente com o clube, Leandro Damião não deixou saudades. Fez poucos gols e acabou na reserva, perdendo o lugar para Gabriel, artilheiro em ascensão. 

Depois de perder duas finais seguidas, a equipe conseguiu se recuperar com a força dos coadjuvantes. Dirigida por Marcelo Fernandes, a equipe superou o Palmeiras nos pênaltis após dois jogos equilibrados. “Foi um momento único na minha carreira. Foi meu sétimo título com a camisa do Santos, mas meu primeiro jogando”, disse o goleiro Vladimir, hoje reserva. 

Comandado por Robinho, em sua terceira passagem pelo clube, o Santos conseguiu se igualar ao São Paulo no ranking estadual. Apesar do título, Marcelo Fernandes teve uma campanha ruim no Campeonato Brasileiro e acabou substituído por Dorival Junior, que vai buscar o quinto título santista em oito decisões paulistas. 

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Nos anos 50, Pepe abriu série de títulos do Santos

Ao chegar à oitava final consecutiva, o <a href="http://esportes.estadao.com.br/futebol/clubes/santos">Santos</a> conquistou um feito só então alcançado na era Pelé, nos 50 e 60. Entre 55 e 62, o lendário time da Vila Belmiro sempre foi campeão ou vice, numa época em que ganhar o Estadual tinha um significado muito maior do que hoje. “Em qualquer época, realmente é muito difícil chegar a oito finais consecutivas. Por isso eu fico muito feliz ao ver o Santos chegar a decisões”, afirmou ex-ponta-esquerda Pepe, 81 anos.</p>

VÍTOR MARQUES, O ESTADO DE S.PAULO

08 de maio de 2016 | 07h00

O ‘Canhão da Vila’, com 405 gols pelo Santos, jamais se esquece justamente do primeiro título daquela sequencia porque o time vinha de um período de 20 anos de jejum. 

Foi de Pepe o gol que sacramentou a vitória por 2 a 1 diante do Taubaté, na Vila Belmiro, garantindo o título sem a necessidade um jogo extra com o Corinthians – a disputa era por pontos corridos. “Bati cruzado e fomos campeões. Como agora sempre tivemos jogadores jovens e um time ofensivo. É o DNA do Santos.

Outro ídolo do time da Vila, o ex-atacante Coutinho, 72 anos, que estreou no Santos em 58, e também participou dos anos em que o time conquistou todos os títulos possíveis. O ‘Gênio da Área’ enalteceu a atual série de finais do time. “O Paulistão sempre é importante, é o nosso campeonato. Quando ganha outro time aí falam que é importante.”

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