Juventude pode ser punido por racismo

Depois da polêmica decisão de anular 11 partidas do Campeonato Brasileiro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) voltará à cena na próxima semana para julgar, pela primeira vez, um crime de racismo. Nesta terça-feira, o procurador do órgão, Alessandro Kishino, denunciou o Juventude porque os torcedores da equipe gaúcha imitaram e xingaram de ?macaco? o meia Tinga, do Internacional, na partida do último sábado, válida pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. ?No Código (Brasileiro de Justiça Desportiva- CBJD) não existe diploma legal que tipifica essa questão do racismo. Então, por uma questão de interpretação, a procuradoria entendeu que houve desordens na praça de desporto do Juventude e, por isso, o está denunciando no artigo nº 213?, explicou o procurador do tribunal. Caso seja considerado culpado, a punição prevista para o clube é a perda de mando de campo entre uma e três partidas, além do pagamento de uma multa no valor mínimo de R$ 50 mil e máximo de R$ 500 mil. A advogada do Juventude, Vera Otero, contestou todas as alegações da procuradoria do STJD. Destacou que o próprio Kishino reconheceu que não há previsão no CBJD para o crime de racismo e, por isso, o Juventude não poderia ser condenado. ?Não existe previsão legal no código para este crime. Para a Justiça Desportiva, racismo não é crime. Tanto que a própria procuradoria está fazendo uma ginástica para nos denunciar?, disse a advogada. ?O que podemos fazer é proibir o torcedor de entrar no estádio. Mas como vou saber quem chamou o Tinga de macaco?? A polêmica começou porque, durante a vitória sobre o Internacional, por 2 a 1, toda vez em que Tinga tocava na bola, a torcida o xingava e imitava um macaco. O árbitro Alício Pena Júnior (Fifa-MG) relatou a atitude dos torcedores gaúchos na súmula e, por isso, o STJD optou pelo processo. Apesar da denúncia, a advogada do Juventude ainda acrescentou que o clube tomou todas as providências para acabar com a manifestação de sua torcida. Lembrou, inclusive, que o presidente da agremiação, Walter Dal Zotto Júnior, foi até a cabine de som e pediu que os torcedores parassem a manifestação e, segunda ela, as agressões verbais cessaram. ?O que está parecendo é que o tribunal deseja que o clube assuma o papel do Estado, que é o de dar educação aos torcedores. E educar é obrigação do Estado?, protestou Vera. ?Não houve crime de racismo. Não houve segregação. O que ocorreu, no máximo, foi um crime de injúria, ofensa moral. Igual a quando a torcida chama o árbitro de filho da p...?

Agencia Estado,

25 de outubro de 2005 | 17h39

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