Ale Vianna
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Juventus goleia, retorna à 2ª divisão e Gil diz: 'Na Javari vale quase tudo'

Moleque Travesso derrota equipe de Osasco por 4 a 1

Demetrio Vecchioli, O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2015 | 14h56

O Estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari, ficou lotado na manhã de ontem para ver o acesso do Juventus à Série A-2 do Campeonato Paulista. O Moleque Travesso dessa vez nem precisou aprontar. Favorito, goleou do Grêmio Osasco por 4 a 1, com três de Daniel Costa, e fechou a ótima campanha na A-3 com a volta à segunda divisão dois anos após a queda.

A partida teve todos os ingredientes de uma grande decisão: ingressos esgotados um dia antes do jogo, ruas lotadas, milhares de juventinos para fora, tensão e radinho no ouvido para saber o resultado dos outros jogos. E teve também fatores não tão usuais: "pedala" de um torcedor em um jogador do Grêmio Osasco, torcida organizada autorizada a entrar em campo para comemorar com os jogadores e atletas escalando o alambrado.

"Aqui vale tudo. Quero dizer, nem tudo", diz o atacante Gil, ex-Corinthians, camisa 9 do Juventus na conquista do acesso. Enquanto subia até o fim do alambrado para comemorar com os juventinos das arquibancadas, a jovem torcida torcida da Mooca cantava uma música que tem "a, e, i, o, u" na primeira estrofe e continua com um "Aqui na Javari, só não vale..." na segunda.

Aos 34 anos, Gil claramente não é o mesmo da época em que foi comparado a Kaká. Praticamente sumido desde 2009, quando mal jogou em sua passagem pelo Flamengo, o atacante quase fez um gol de placa aos 10 minutos na Javari. O chute de canhota foi perfeitamente na junção da trave esquerda com o travessão. No rebote, Daniel Costa abriu o placar. "Nunca tinha ouvido um 'uh' mais alto do que um 'gol'", contou um dos centenas de torcedores que só conseguiram entrar com a bola rolando e não viu o primeiro gol. Outros tantos estavam na fila do cannole, vendido a R$ 3 e saboroso como sempre.

Mas a manhã estava apenas começando. Revelado pela Ferroviária e com passagem apagada pela Penapolense, Daniel Costa fez o segundo, novamente após rebote, e também o terceiro. Entre um gol e outro, uma confusão. O lateral Willian, do Grêmio Osasco, foi pegar uma bola junto à grade e recebeu um "pescotapa" de um torcedor do Juventus. A Tropa de Choque precisou ser acionada (ficou lá por não mais que dois minutos).

No segundo tempo, foi só festa. O Grêmio Osasco descontou em um gol peculiar. Quem estivesse de costas nem perceberia. Ninguém comemorou, ninguém lamentou. A festa não parou. Só ficou maior quando o zagueiro Léo, pelo alto, fez o quarto. Na comemoração, um torcedor quase derrubou a sacola de cannoles que deveria levar para a sobremesa.

A Rua Javari é mesmo peculiar. A organizada do Juventus saiu de trás do gol (onde ofender o goleiro é tradição, mas sem homofobia) e foi fazer a festa das "sociais", onde se prolifera a camisa com os dizeres "Eu sou da Mooca, bello". Quando o juiz apitou o fim do jogo, a Ju Jovem entrou com o bandeirão no gramado. Gil subiu em cima e quase o rasgou.

A festa só não foi maior porque o Votuporanguense venceu a Inter de Limeira, ficou com o primeiro lugar do grupo, e fará a final contra o Taubaté - o Atibaia também subiu. No ano que vem, tem Juventus x Portuguesa na Série A2, divisão que a equipe da Mooca venceu em 2005. 

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