Ale Vianna
Jogadores do Juventus comemoram vitória sobre a Inter de Lima Ale Vianna

Juventus pode voltar à Série A-2 e buscar novas 'travessuras'

Tradicional clube paulistano está fora da elite desde 2008

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2015 | 17h00

Os jogadores do Juventus entram hoje no Estádio da Rua Javari com duas ideias na cabeça, uma depende da outra. A primeira é conseguir pelo menos um empate contra o Grêmio Osasco, às 10h, para garantir o acesso à Série A-2 do Campeonato Paulista. A segunda é retomar os anos dourados do clube. Desde que saiu da elite paulista em 2008, a equipe alterna participações na A-2 e A-3, mas, a partir de hoje, quer dar o primeiro passo para voltar a estar entre os grandes de vez. 

As coisas parecem bem encaminhadas. A equipe foi líder da fase de classificação. Em casa, oito vitórias. Em sete jogos, não levou gols. O rival não tem mais chances de classificação. Além do acesso, o Juventus ainda sonha com o título da Série A-3. Aí, está mais difícil. É preciso torcer contra o líder Votuporanguense, que já garantiu a vaga e cumpre tabela contra a Internacional de Limeira. 

Retomar os anos dourados não significa necessariamente brigar por títulos que, até hoje, foram escassos e cabem em poucas linhas. A equipe venceu a Taça de Prata de 1983, a Copa São Paulo de 1985 e a Copa Federação Paulista de 2007. O Juventus quer retomar o lugar especial no imaginário do torcedor paulistano. É o segundo time de muita gente. 


O apelido é estiloso – Moleque Travesso – e foi conquistado por causa de uma vitória sobre o Corinthians em pleno Parque São Jorge, em 1930. Ganhou força ao longo de décadas com as travessuras. Em 1989, Silva fez um gol de bicicleta no corintiano Ronaldo. Em 2006, venceu o São Paulo na entrega das faixas do título mundial. Em 2008, no último ano em que esteve na elite, ganhou do Santos por 3 a 1 no Pacaembu.  

Todos esses feitos e datas vão saindo da memória de elefante do pesquisador Hamilton Kuniochi. Para ele, é fácil citar as proezas, mas é impossível explicar as razões da simpatia que o clube desperta. Ele enumera a tradição de quase 100 anos, a localização na capital e a paixão dos moradores da Mooca pelo futebol. O especialista também acredita que a Rua Javari se tornou um espaço de “resistência” contra o futebol moderno. “É um contraponto para os grandes estádios. Muitos torcedores têm orgulho de se posicionar contra o futebol moderno”, argumenta. 

Para o treinador Rodrigo Santana, tudo isso entra em campo. “O Juventus é uma equipe de tradição, com uma torcida especial e que merece esse acesso”, diz o técnido de 32 anos.  

Camisa pesa, mas nem sempre ganha jogo. Rodrigo explica que a razão da boa campanha é uma palavra nada romântica: planejamento. A equipe fez uma pré-temporada como manda o figurino, com tempo para preparação física, tática e técnica. Além disso, armazena quase 200 fichas de jogadores que ele e a comissão técnica observaram. Foi assim que o elenco foi montado. 


Craque. Contador de histórias bem-humorado, o atacante Gil caiu como uma luva dentro e fora de campo. Ao mesmo em que atualiza a tradição de jogadores carismáticos do clube, como, por exemplo, Ataliba, ele mostrou bom futebol aos 34 anos. Na goleada sobre a Francana por 4 a 0, Gil marcou todos os tentos e ganhou um vale esfiha do patrocinador. O feito já entrou para o folclore do futebol paulista.  

“A torcida do Juventus é diferente, apaixonada e acolhe os jogadores. Quando parar de jogar, vou guardar com muito carinho essa imagem do torcedor”. 

Para aversão dos românticos, o acesso significa chances maiores de patrocínios. “Para ter jogadores de qualidade, precisamos pagar mais para eles. Se a gente confirmar o acesso, daremos uma salto grande e vai ficar mais fácil atrair novos patrocinadores”, afirma o presidente Rodolfo Cetertick. 

O lateral Rafael Ferro coloca água na fervura. “O Juventus é tradicional, mas que tem seu lado moderno”. 

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