Kaká diz que não é um novo super-homem

Zagallo diz que ele ganhou muito em velocidade. Cafu o vê cada vez mais forte, mas Kaká não se considera um novo super-homem pronto para destroçar os peruanos, neste domingo em Lima. "Hoje, eu me sinto pronto para ganhar uma dividida com os ombros ou para receber uma bola em velocidade, mas o que sei mesmo é que esse é apenas o meu primeiro jogo como titular em uma competição oficial. Tenho muito a aprender, mas sei que já posso dar mais ao Brasil do que antes." As qualidades físicas mudaram, mas a missão em campo vai ser a mesma que realiza com êxito desde a estréia profissional há dois anos e meio. Êxito tão grande que o levou ao Mundial-2002 com apenas 20 anos. "Vou jogar pelo lado direito, com a missão de carregar a bola e fazer com que ela chegue no Ronaldinho. Tenho toda a liberdade para chutar, mas se um dos volantes deles resolver atacar, eu acompanho. Eu e o Rivaldo vamos fazer as mesmas funções." O chute a gol será tentado. Kaká sempre tenta. "Sempre é preciso ter confiança para arriscar um chute. Contra a Colômbia, eu fiz um gol no primeiro toque que dei na bola e contra o Brujes, na Copa dos Campeões, marquei no meu último toque na bola. Essa é uma característica que eu tenho e não quero perder nunca." Kaká está vivendo uma espécie de segunda fase em sua carreira de sonhos. A primeira vai de sua estréia no São Paulo até a chegada ao Milan, incluindo a presença em um Mundial. Agora, está na Europa e começa a firmar-se como titular da Seleção Brasileira. "Eu assistia a Liga dos Campeões pela televisão e agora estou lá, entre tanta gente importante. Na Seleção, é a mesma coisa. Estou muito feliz com tudo isso, é um momento maravilhoso para mim. Tenho de aproveitar tudo isso." Cafu já passou por tudo isso. O capitão da Seleção Brasileira passa dos cem jogos e tem no currículo a presença em três finais seguidas de Copa do Mundo. Ninguém no mundo tem isso. E, olhando para trás, ele só tem elogios para o presente dessa Seleção que joga amanhã em Lima. "Somos um time mais experiente do que o das últimas Eliminatórias. Estamos muito mais confiantes, ganhamos o penta e os adversários nos respeitam mais. Temos de aproveitar tudo isso e partir para sermos uma seleção inesquecível." Os adversários respeitam, mas querem vencer. Tentam de toda forma, até com pressão fora de campo. Nada que impressione. "Quando saímos do Brasil não esperamos receber flores de ninguém. As Eliminatórias são difíceis e todo mundo que ganhar um ponto do Brasil sai na frente, sabemos disso e estamos prontos para vencer. O time está muito confiante para vencer as Eliminatórias." Para Cafu, o Brasil busca nesse momento a especialização em furar retrancas. Acredita que, exceção a um jogo ou outro, ou a partes de jogos, os adversários estarão sempre atrás, sempre esperando por um lance de sorte ou rezando por um empate. "Acho que os jogos serão cada vez mais parecidos. Cada vez mais, vai caber ao Brasil dar o ritmo do jogo e buscar a melhor maneira de abrir a muralha que os outros tentam fazer. Por isso, considero o nosso time muito ofensivo, com laterais subindo e mais três atacantes de alto nível. Esse é o caminho certo, porque ninguém se descuida contra o Brasil.Ninguém dá vantagem para nós." Será assim, também amanhã.

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