Kaká espera pelos olheiros do Milan

O meia Kaká, de 21 anos, viveu os piores momentos da carreira nos últimos 40 dias. A contusão na coxa o tirou dos campos, diminuiu seu espaço na mídia e pode ter dificultado sua transferência para um clube do exterior, seu grande sonho. O jogador, para desespero dos são-paulinos, nunca escondeu seu desejo de atuar em uma grande equipe da Europa, mas admite que vai ter de "reaparecer" em campo para fazer jus ao assédio dos empresários de clubes como Manchester United, Real Madrid e Milan, que já manifestaram interesse pelo atleta. O Milan deve mandar uma delegação ao Brasil até o dia 15 deste mês para tentar levá-lo. Os italianos vão usar a influência do ex-jogador Leonardo (ex-Milan e São Paulo) na negociação, porém já avisaram que não vão pagar os US$ 15 milhões pedidos pelo jogador. Enquanto ela não é fechada, Kaká não fala sobre transferência. Mas falou com a Agência Estado sobre vários assuntos. AE - Depois de 40 dias parado, você acha que contra o Figueirense (amanhã) já vai estar totalmente recuperado, fisicamente e tecnicamente? Kaká - Estou confiante. Treinei bastante nesses últimos dias e estou me sentindo em totais condições de jogar bem a partida toda. Não acho que vou ter qualquer problema. AE - Qual foi o momento mais difícil da fase de recuperação? Kaká - Os primeiros momentos. Quando fiquei de fora da final do Paulista (contra o campeão Corinthians). Foi muito ruim não poder ajudar meus companheiros. AE - Seu empresário, Wágner Ribeiro, afirmou que você pode deixar o Brasil em julho, rumo a um grande clube do exterior. Isso o deixa animado? Kaká - Eu não falo sobre negociações. A única coisa que eu sei é que tenho contrato até 2005 com o São Paulo. AE - Que países da Europa você conhece? Teria preferência para morar em algum deles? Kaká - Conheço a Espanha e a Inglaterra e tive uma ótima impressão desses dois países. É difícil falar onde eu gostaria de morar. Tenho um sonho, de jogar numa grande equipe da Europa, mas não tenho preferência. AE - O São Paulo, no momento, vem sendo bastante criticado pela inconstância da equipe e principalmente pela goleada sofrida para o Paysandu (5 a 2, domingo). Não é ruim voltar num momento como esse? Kaká - Não, quero ajudar o grupo a passar por cima disso tudo. AE - Como você recebe as críticas, elas te motivam ou te deixam ainda mais para baixo? Kaká - Quando a crítica é inteligente, feita por pessoas inteligentes, eu as recebo bem, mas quando não têm sentido, me tiram do sério. Muitas vezes, nem levo em consideração as bobagens que falam, entra por um ouvido e sai pelo outro. AE - Na Europa, as críticas também são bastante duras com os atletas. Você está preparado para enfrentá-las? Kaká - Em clubes como o Manchester (United), Real Madrid e Milan, a cobrança é igual a daqui. Estou preparado, claro.

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