Kaká vira 'calouro' e passa por vestibular na seleção brasileira

Melhor do mundo em 2007 e com três Copas no currículo, meia tem de mostrar serviço para Felipão

Almir Leite - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2013 | 07h52

GENEBRA - Kaká tem 30 anos, 107 convocações para a seleção brasileira e 83 jogos. Foi campeão do mundo em 2002, com apenas 20 anos, embora na prática só tenha feito parte do grupo, pois pouco entrou em campo. Disputou três Copas do Mundo - duas como titular. Em 2007, foi eleito o melhor jogador do planeta. Um currículo e tanto. Apesar disso, Kaká agora está fazendo um vestibular para a seleção brasileira.

De seu desempenho nos amistosos contra Itália, quinta-feira em Genebra, e Rússia, na segunda-feira em Londres, e também de seu comportamento fora de campo dependerá sua convocação para a Copa das Confederações e talvez até para a Copa do Mundo de 2014. Saindo-se bem, estará no grupo. Do contrário, dificilmente terá outra chance.

O meia se apresentou ontem, em Genebra, tranquilo, sorridente, mas consciente do que lhe espera. "O tempo é curto, tem dois jogos até a Copa das Confederações, falta um ano para a Copa. Tenho de aproveitar todas as oportunidades", disse Kaká.

Os jogos com italianos e russos representam a última oportunidade não só para Kaká como para todos os jogadores brasileiros que atuam no futebol europeu. Isso porque contra a Bolívia, dia 6 de abril, e contra o Chile, dia 24 de abril, Felipão só poderá chamar atletas que atuam em clubes do País.

Kaká se viu em meio a um vestibular por alguns motivos. Um deles foi dado pelo próprio treinador da seleção, ao dizer que, na sua cabeça, ou convoca Kaká ou Ronaldinho Gaúcho para a Copa das Confederações.

O jogador do Atlético-MG jogou contra a Inglaterra e, de maneira geral, não foi bem. Perdeu até um pênalti. Deverá ter nova chance contra os chilenos e talvez até contra os bolivianos. Mas, se Kaká aproveitar a oportunidade que recebeu, poderá neutralizar Ronaldinho. A não ser que Felipão mude de ideia e decida convocar os dois para a Copa das Confederações.

A fase ruim no Real Madrid também joga contra Kaká. Desde os tempos de Mano Menezes. O ex-treinador chamou poucas vezes o meia, que foi bem nas oportunidades que teve. Mesmo assim, Mano desconfiava do jogador por causa de seu pouco aproveitamento por parte de José Mourinho.

Felipão, aliás o técnico que levou Kaká para a Copa de 2002, também pensou duas vezes para convocar o jogador. Mas entende que vale a aposta. 

CONFIANÇA

O meia, inclusive, acredita que o "problema de jogar pouco" não existe mais. "Tenho sentido que as coisas têm melhorado para mim, principalmente no clube, tenho jogado com mais frequência no Real. As coisas estão acontecendo, tenho reconhecimento da torcida e isso dá uma motivação extra. Agora, espero aproveitar a chance na seleção com a nova comissão."

Kaká chegou a enfrentar alguma resistência por parte de alguns dos novos dirigentes da CBF, numa espécie de rótulo pelo fracasso da seleção na Copa da África do Sul, em 2010. Chegou até a ser definido como "estrela". No entanto, a esses dirigentes foi esclarecido que o meia não tem tal característica e que, em boa forma física e motivado, pode ser bastante útil à seleção.

Além disso, Kaká não parece preocupado com essa opinião. Acredita ter a confiança de Felipão e do coordenador técnico Carlos Alberto Parreira e prefere destinar sua energia para aproveitar a oportunidade.

"Penso muito no momento, principalmente pelo que atravesso no clube. Cada jogo é uma oportunidade de voltar a ser titular e acho que aqui (na seleção) vai ser da mesma forma", prefere Kaká. "Daqui a um ano e alguns meses vamos ver o que vai acontecer."

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