Kia não revela nomes de investidores

Avança a passos lentos a investigação do Ministério Público de São Paulo a respeito das transações da MSI no Brasil. O presidente do fundo de investimentos, o iraniano Kia Joorabchian, prestou depoimento hoje e se negou a revelar o nome das pessoas físicas por trás da Just Sports e Devetia, empresas integrantes da sociedade que sustenta a MSI. "Se considerarmos que o ponto vital era detectar a origem do dinheiro aplicado no Corinthians, não progredirmos", disse o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro."A legislação permite que as identidades das pessoas não sejam declaradas", afirmou Kia. "Elas não querem aparecer e não quero dizer seus nomes para preservá-las, porque seriam perseguidas pela imprensa, assim como ocorreu com integrantes da MSI", justificou-se. Nos bastidores, especula-se que o novo homem forte do clube paulista estava em Londres até ontem tentando convencer os investidores da parceria a sair do anonimato.O iraniano conversou por quase quatro horas com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público, levou os advogados Dora Cavalcanti e Marco Polo Del Nero (também presidente da Federação Paulista de Futebol), uma tradutora e um calhamaço de documentos nos quais estariam detalhadas as operações conduzidas pela MSI. "Vamos passar os próximos dias lendo uma pilha enorme de papéis, só depois poderemos dar mais detalhes sobre eles", contou Roberto Porto, que divide com Carneiro a investigação.Segundo a advogada Dora Cavalcanti, a documentação de todas as contratações realizadas para o clube foi entregue ao Gaeco. Ela explicou, por exemplo, a polêmica negociação para trazer Carlos Tevez."É tudo muito simples", comentou, impaciente. Custou US$ 16 milhões, dados ao Boca Juniors, US$ 2 milhões como pagamento de um intercâmbio entre os dois clubes, mais 15% para quitar o que ela chamou de direitos federativos do jogador. "Além da comissão de agentes, taxas e impostos, totalizando US$ 22,6 milhões", concluiu.AVANÇOS? - O executivo iraniano revelou ser um dos acionistas da Just Sports, off shore com sede em um paraíso fiscal, as Ilhas Virgens Britânicas, mesma localização da Devetia. "Não disse quais outras pessoas participavam da sociedade, mas se comprometeu a nos mandar o certificado corporativo da Just Sports (no qual constaria a pessoa física ou jurídica que a criou)", declarou Carneiro.Uma das principais descobertas até o momento era a de que um cidadão georgiano, Zaza Toidze, teria sido responsável por um depósito, em janeiro, de US$ 2 milhões ao Corinthians - cancelado pelo Banco Central. Os promotores viam nisso um indício da proximidade do fundo de investimentos com o milionário Badri Patarkatsishivli, proprietário do Dínamo de Tbilisi. Kia explicou, no entanto, que Toidze não tem qualquer relação com a MSI e teria apenas feito um empréstimo a Devetia, responsável futuramente pela remessa.

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