Kia vai copiar estratégia palmeirense

O iraniano Kia Joorabchian está tão aflito com as dificuldades em contratar jogadores para o Corinthians que foi aconselhado e irá utilizar uma velha estratégia adotada pelo Palmeiras há cerca de 13 anos. Quando empresários e dirigentes dos clubes ficavam sabendo que era a Parmalat a interessada nos seus atletas, os preços triplicavam. O mesmo está acontecendo com a MSI que gastou cerca de R$ 80 milhões apenas com Tevez e Carlos Alberto. "Não tem outro jeito. Vamos fazer um empresário procurar um clube ou até outro empresário com a nossa oferta. Ele não falará que trabalha para nós. Se não for assim, as contratações ficam impossíveis.Só assim para acabar com esse impasse: queremos os atletas, temos dinheiro, mas não iremos pagar a mais por isso", revela o vice de futebol, Andres Sanchez. Exemplos recentes irritaram profundamente Joorabchian.Primeiro com Fábio Baiano. De acordo com quem acompanhou as negociações, quando o jogador soube que a parceria estava mesmo sacramentada no Corinthians resolveu pedir um belo aumento. Ele recebia R$ 60 mil por mês. Exigiu R$ 90 mil pelos próximos dois anos. Depois de ouvir os pedidos de Tite para continuar com o atleta, a MSI ofereceu R$ 1 milhão apenas pelo ano de 2005. Só que Baiano estava negociando ao mesmo tempo com o Santos. Kia descobriu. Quando o meio-campista voltou a procurar a diretoria e pedir mais dinheiro, foi dispensado.Até no caso Vágner Love a força financeira corintiana atrapalhou. A diretoria russa quis lucrar mais do que sonhava com o pedido de saída do jogador. Ao ficar claro que ele havia acertado seus salários com a MSI, a diretoria do CSKA passou a exigir US$ 20 milhões no atleta que pagou há oito meses US$ 7,5 milhões ao Palmeiras e bancou US$ 1,5 milhão de luvas ao atleta. Kia que já havia prometido contratar de qualquer maneira o atacante ofereceu US$ 13 milhões. Ele tem certeza que mesmo com a raiva dos dirigentes do CSKA, aceitariam a proposta desde que não fosse da milionária MSI. Por isso querem mais.O mesmo aconteceu com Paulo César. O lateral tinha acertado todas as bases com a MSI. Ele iria receber 228 mil euros (cerca de R$ 950 mil) de luvas e mais R$ 100 mil por salários até o final de 2005. O jogador exigiu maiores salários. Foi dispensado e acabou fechando também com o Santos. O que foi péssimo para Tite que tanto contava com a contratação que já havia dispensado Roger para atuar por empréstimo ao Celta. Ele ficou sem Paulo César e Roger.O mesmo aconteceu quando a MSI procurou o Benfica atrás de Roger. Com a grande maioria dos clubes brasileiros, o assunto empréstimo foi discutido. Com o fundo de investimentos, não. A pedida de US$ 6 milhões irritou Kia, que mandou parar as negociações. Com o futebol instável do Corinthians e os pedidos insistentes de Tite podem fazer com que Kia mude de idéia e volte a procurar Roger. Antes um empresário desconhecido vai checar qual é o preço real do atleta e se há a possibilidade de trazer o atleta por empréstimo. O estratagema vale para Gilberto do Hertha Berlim. "Se criou uma expectativa que vai além da racionalidade.Então, a saída é usar todas as habilidade para contratar os atletas que precisamos", resume o diretor de futebol Paulo Angioni.Preço - Nos bastidores há a certeza de que os principais nomes da parceria são os culpados pela inflação. Quando o presidente Alberto Dualib empolgado garantiu que o Corinthians formaria uma equipe de ´galáticos´ e ao Kia Joorobchian jurar que depois da parceria o clube seria o ´number one´, os preços dos atletas pretendidos dispararam. "Essa é a realidade e temos de nos adequar a ela. O time precisa de reforços, não dá para esconder. E eles virão. Basta ter paciência", pede o diretor de futebol, Andrez Sanches, para desespero de Tite e dos torcedores que sonhavam com uma seleção de excelentes atletas com a camisa corintiana.

Agencia Estado,

03 de fevereiro de 2005 | 10h01

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