Kléber não explica cheque para Sport

O ex-presidente do Flamengo e empresário Kléber Leite não conseguiu, hoje, explicar à CPI da CBF/Nike porque, em julho de 1999, emitiu um cheque de R$ 150 mil em favor do Sport Clube Recife. Ao ser questionado pelo deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP), ele foi categórico ao afirmar que não fez nenhum negócio com aquele clube que justificasse esse pagamento. O ex-dirigente alegou que o cheque poderia pertencer a um homônimo seu ou, então, que estaria vivenciando uma situação comparável a "um filme felliniano", com argumentos impossíveis de compreender. "Não posso afirmar aqui que eu fiz o que não fiz", retrucou. O ex-dirigente mudou de opinião, ao receber a cópia do cheque. Após reconhecer a assinatura como sua, ele aventou a possibilidade de ter feito aquele pagamento ao Sport "como garantia do direito de compra de um jogo no estádio naquele clube". Jurandil explicou que o acesso a esse depósito foi proporcionado pela quebra do sigilo bancário do empresário. O ex-presidente do Flamengo disse que é falsa a informação de que teria negociado 100 jogadores nos quatro anos de sua gestão. Ele disse que nesse período negociou 31 e contratou 34 jogadores. Kléber Leite foi reticente ao responder às perguntas sobre o contrato de sua empresa, a Klefer Marketing Esportivo, com a Traffic, pertencente ao empresário J. Hawilla, que intermediou o contrato da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com a Nike e a Coca Cola. Ele negou ser sócio de Hawilla. Segundo ele, a Traffic receberia 20% do total acordado nesses contratos, cabendo a ele também receber 20% do total repassado. A uma pergunta do deputado Doutor Rosinha (PT-SP) sobre o local de registro desse contrato, ele disse ter sido no Rio de Janeiro. A cópia do contrato exibido pelo deputado mostra que o registro foi feito no interior de São Paulo, em São Roque, com validade até janeiro de 1995. O relator Silvio Torres (PSDB-SP) quis ouvi-lo sobre a matéria publicada no "Estado" em 1994, quando Leite disputava a presidência do Flamengo, com base no grampo de conversas mantidas entre ele, Hawilla e João Carlos Porto. Torres disse ter entendido que se tratava de uma negociação suspeita no fechamento do acordo com a Coca Cola. Kléber Leite disse que nunca soube dessa denúncia e que nunca houve esse diálogo "no sentido de suborno". Na CPI do Futebol, os ex-presidentes do Fluminense Manoel Schwartz e José Pereira Antelo acusaram o também ex-presidente Álvaro Barcelos de receber antecipadamente cotas a que o clube tinha direito junto ao Clube dos 13 para pagamento de salários. "Barcelos não cumpriu o acertado e terminou pagando aos atletas com 32 cheques sem fundo", informou Antelo. Schwartz fez um histórico dos desmandos administrativos que resultaram na crise financeira e administrativa do clube. Segundo ele, a crise refletiu no rebaixamento do clube para terceira divisão.

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