Kléber Pereira: 'o artilheiro dos gols perdidos'

Atacante convive com as brincadeiras dos torcedores e dos companheiros do time do Santos

Sanches Filho, Especial para O Estado de S. Paulo

11 de março de 2008 | 18h52

Kléber Pereira vive uma situação no mínimo esquisita no Santos: é mais cobrado pelas oportunidades desperdiçadas do que pelos muitos gols que faz. Só nos três últimos jogos pelo Campeonato Paulista na Vila Belmiro ele marcou seis. No total já são oito, quase metade dos 19 que o time inteiro marcou no Estadual. Além de ser forte candidato a artilheiro do campeonato. E mesmo assim o atacante ouve restrições de todas as partes.Veja também: Emerson Leão quer reforço 'equivalente' para o lugar de Souto"A primeira a falar é a minha mulher [Marilúcia]. Diz que até ela faria o gol que perdi. Outro dia até brigamos. Toca o telefone e é a minha e ou um dos meus irmãos dizendo o que eu tinha que fazer", conta Kléber Pereira que, por ser brincalhão, não escapa nem das piadinhas dos companheiros de time. "Costumo responder que se fizesse os perdidos talvez perdesse os que foram feitos", acrescenta.Na rua é pior ainda. "É no posto de gasolina, banco e supermercado. Há um tempo atrás, as pessoas me falavam o que o time tinha que fazer para não cair para a segunda divisão. Eu perguntava por que eles não iam ao CT para dar algumas instruções ao professor Leão. Agora as reclamações são por causa dos gols que eu perco" diz Pereira. "Eu mesmo me cobro depois dos jogos e fico pensando porque o gol não saiu. Sou o que menos quer errar, mas acontece. No último jogo, a melhor chance que perdi foi no lance em que bola pegou o lado do pé e saiu um pouco de trave."Com a reação do time no Campeonato Paulista, Kléber Pereira acredita que a pressão sobre ele vai diminuir. "Além disso, agora a equipe está jogando com um atacante de área (Sebastián Pinto) e eu saio mais da área para buscar jogo e dar assistência."No coletivo da manhã desta terça-feira, Sebastián mostrou porque está ganhando a preferência de Leão: fez dois gols, criou inúmeras oportunidades e se movimentou mais do que da estréia, domingo passado, na vitória por 3 a 2 contra o Noroeste na Vila Belmiro. Mas, se o chileno já se escalou, Leão tem duas duvidas para armar o time que tentará somar mais três pontos contra o Mirassol, nesta quinta-feira, às 20h30, na Vila Belmiro: Adriano e Molina. O volante, com o joelho direito inchado em razão de uma pancada, apenas fez tratamento médico nesta terça-feira e, se não puder jogar, será substituído por Dionísio. Molina saiu de campo se queixando de dores no tornozelo direito no meio do coletivo, após um choque com o equatoriano Michael Jackson Quiñones, dando lugar a Vítor Júnior. "Sou otimista e acredito que os dois vão jogar", disse Leão.Com a perda de Rodrigo Souto e a ausência de Wesley (suspenso pelo terceiro cartão amarelo), Leão deslocou Dionísio para a lateral-direita, e armou o meio-de-campo com Adoniran, Marcinho Guerreiro, o garoto Paulo Henrique e Molina, depois Vítor Júnior.Contra o Mirassol, se Adriano se recuperar será o volante e Adoniran o lateral. O técnico deixou claro que sem Wesley o time vai perder muito. "Paulo Henrique não tem a velocidade e a importância tática de Wesley. Por isso, no treino mostrei a ele que para jogar no time principal é preciso ser adulto. O jogador não pode ficar estático, esperando a bola no pé. É preciso participar da marcação, se movimentar e chegar à frente para tentar o gol", explicou o treinador.

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