Kleber Pereira: 'Proposta do Corinthians era irrecusável'

Atacante diz que não recusaria oferta do Santos, que tinha sua preferência na renovação de contrato

Sanches Filho, Especial para O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2008 | 18h30

Kleber Pereira repetiu três vezes, nesta quarta-feira, na sua primeira entrevista após ter renovado contrato com o Santos até dezembro de 2009 uma frase: "Recusei uma proposta irrecusável do Corinthians". Ele não quis revelar os valores, mas confirmou o encontro que teve com Antônio Carlos Zago, gerente de futebol do Corinthians, numa pizzaria de Santos, na quinta-feira da semana passada, um dia depois de ter acertado com dirigentes santistas a renovação e na véspera de assinar o novo contrato com o clube da Baixada. "A proposta do Corinthians, que já era muito boa, foi melhorada. Era irrecusável mesmo, mas não quis voltar atrás no que tinha acertado com o Santos, que sempre teve a minha preferência", disse o atacante. "Foi o que eu disse à diretoria do Corinthians. Conversei com o meu irmão [Daniel Pereira, que também é seu procurador] e depois me sentei com o presidente [Marcelo Teixeira] e chegamos a um acordo que foi bom para mim e também para o clube."Kleber Pereira chegou a balançar não apenas diante da proposta financeira do Corinthians, mas também pela oportunidade de ajudar conduzir o segundo clube mais popular do Brasil a voltar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Também sabe que teria maior exposição na mídia e, talvez, até pudesse realizar o sonho de um dia defender a Seleção Brasileira, que procura um novo artilheiro desde o fim da Copa do Mundo de 2006.Daniel Pereira conta que tem um DVD com 85 minutos só com gols do irmão e que e depois assisti-lo as pessoas não compreendem como Kleber Pereira ainda não foi convocado para a Seleção Brasileira. "São gols de todos os jeitos, um mais bonito do que o outro. E não tem truque de montagem. Mostrei ao Oscar [ex-zagueiro da Ponte, São Paulo e Seleção] e ele me falou que um jogador como Kleber tem que jogar na seleção."Por causa do DVD alguns dirigentes do futebol árabe demonstram interesse na contratação de Kleber Pereira, de tempo em tempo. A primeira vez foi quando o atacante, que faz 33 anos de idade no dia 13 de agosto, ainda jogava no México. "Ofereceram uma fortuna, mas os mexicanos primeiro se negavam a liberar Kleber e depois queriam quase todo o dinheiro do contrato. Por isso, no México meu irmão não joga mais." E a última foi há menos de um mês, de um clube dos Emirados Árabes.Pelo documento que assinou com o Santos e que tem validade até 31 de dezembro de 2009, Kleber Pereira não poderá jogar por nenhum outro clube brasileiro. "Essa é uma das cláusulas, mas há outras. Não é meu pensamento agora voltar a jogar no exterior, mas se aparecer alguma coisa especial, o Santos receberá uma compensação e me libera."Se quando estava apalavrado com o Palmeiras, no ano passado, acabou mudando de rumo para ganhar mais no Santos, alegando que tinha como objetivo um dia trabalhar com Vanderlei Luxemburgo, desta vez o dinheiro não falou mais alto."O principal motivo para eu preferir continuar no Santos foi que quando eu voltei ao Brasil depois de cinco anos no México, fui bem recebido. Tenho amizade com os jogadores e meu dou bem com o técnico. Também conversei com minha família, que gosta muito da cidade. São Paulo é mais complicada, trânsito ruim, causando dificuldade até para se ir a um restaurante."Embora admita que ter sido assediado até na noite anterior à assinatura do novo contrato com o Santos, Kleber Pereira não vê nada demais no seu encontro com Antônio Carlos, com quem conviveu diariamente no Centro de Treinamento Rei Pelé até dezembro do ano passado. "Jantar ou almoçar com Antônio Carlos não é nenhuma novidade. Somos amigos e sempre que é possível nos encontramos para falar de família e de outros assuntos." E aproveitou para agradecer a confiança que os dirigentes do Parque São Jorge demonstraram pelo seu futebol.

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