Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Kleina e Carille chegam na decisão com estilos bem diferentes

Técnicos de Ponte e Corinthians vão colocar à prova na final do Estadual escolas distintas de comandar à beira do gramado

Daniel Batista, Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2017 | 07h00

A final do Campeonato Paulista é um duelo entre dois treinadores de estilos opostos. Gilson Kleina, na Ponte Preta, é experiente, irreverente, engraçado e acha que o futebol tem de ser objetivo e transparente. Fábio Carille, no Corinthians, está no primeiro desafio de sua carreira, segue a cartilha de Tite, é sério, quase carrancudo - embora no dia a dia não seja tanto assim - e gosta de estudar padrões táticos quase o tempo todo. 

Aos 49 anos, Kleina acumula trabalhos em vários clubes, inclusive no Palmeiras, onde foi rebaixado à Série B do Brasileiro, mas acabou se tornando campeão em 2013. Em abril, iniciou sua segunda passagem pela Ponte Preta com uma apresentação que resume a identificação com o clube e seu jeito irreverente. Cantou a música “Casa”, de Lulu Santos, e recebeu, com bom humor, as comparações com o personagem de desenho animado Fred, dos Flintstones, apelido que recebeu na primeira passagem.

Enquanto isso, Carille viveu anos como auxiliar técnico e aprendeu muito com os treinadores que passaram pelo Corinthians, em especial, Tite, de quem fala constantemente. Assumiu o clube cercado de desconfiança, após a diretoria correr atrás de vários técnicos - ela garante que tentou apenas Reinaldo Rueda. Mas foi, aos poucos, ganhando espaço, respeito e a confiança de torcedores, jogadores e dirigentes alvinegros. 

O perfil de ambos é distinto. Kleina é “boa praça”, bem humorado e gosta de frases de efeito. No trabalho, usa objetividade e transparência para definir seu trabalho com “palavras que os jogadores entendem”. Não por acaso, por onde passa, deixa mais amigos que desafetos. 

Carille é mais sério, mas também sabe cativar o elenco com sua postura focada na justiça e tratamento igualitário entre todos os atletas. “A gente prepara todos da mesma forma, pois amanhã posso precisar daquele jogador que nem ficou no banco no jogo passado e ele terá de estar pronto para a chance da vida dele”, prega o treinador. 

Desde abril, Kleina reforçou o espírito coletivo da equipe da Ponte Preta e atuou como motivador fora de campo. Diante do Palmeiras, na semifinal, Kleina reconheceu que jogou para se defender no Allianz, com “o regulamento debaixo do braço”. 

Na fase de grupos, o técnico utilizou o esquema da moda (4-1-4-1), com um volante entre duas linhas de quatro jogadores e um atacante como referência. Na fase final, deixou duas linhas de quatro bem compactas e dois atacantes na frente (Clayson e Pottker). Kleina gosta de marcação agressiva para roubar a bola ainda no campo do adversário. O pulo do gato é a velocidade na passagem da defesa para o ataque. Domingo, em casa, conta com o apoio da torcida para encurralar o rival. “No Majestoso, a Ponte é forte”, repete. 

Carille também é fã do 4-1-4-1 e prioriza a organização defensiva. Tanto que o Corinthians levou apenas dez gols no Paulista e a defesa é o setor mais elogiado da equipe. Ao contrário de Kleina, não gosta de armar o time de acordo com o resultado mais propício. Se o empate basta para ele se classificar, vai para o ataque mesmo sabendo que isso pode custar caro ao time.

Contra o São Paulo, na semifinal do Estadual, armou um esquema tático para marcar a saída de bola do rival e forçá-lo ao erro, para tentar fazer mais gols, mesmo tendo vencido o primeiro jogo por 2 a 0.

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