Phil Noble / Reuters
Phil Noble / Reuters

Klopp atualiza tradição dos pontas para formar ataque do Liverpool

Entrosados com Firmino, Salah e Mané atuam pelas beiradas do campo no melhor ataque da Europa

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 04h30

O ataque do Liverpool que vai enfrentar o Flamengo neste sábado, na final do Mundial de Clubes, faz referência às clássicas escalações com três atacantes: Salah, Firmino e Mané. Isso significa dois atacantes abertos pelas laterais do campo e um centroavante fixo na área. O melhor time da Europa resgata uma figura meio desprestigiada nas últimas décadas: o ponta.

Ao avaliar o confronto tático com o técnico Jurgen Klopp, Jorge Jesus comentou o esquema ofensivo do rival. "Klopp é um dos grandes treinadores do mundo. Sei que viu jogos meus em Portugal e consegue analisar essas particularidades. É um criador. O time dele joga em um 4-3-3 diferente. Ele é diferente", disse o português.

No esquema de Klopp, Firmino serve como uma espécie de estilingue, recuando para o meio e disparando seus passes para as infiltrações de Mané e Salah. O brasileiro também faz a função de pivô para tabelas ou triangulações, oferece profundidade necessária para prender os zagueiros e flutua, vindo buscar o jogo no meio campo. Os pontas também fazem mais de uma função. Eles podem “cair” por dentro puxando a marcação dos laterais e criando espaços para subidas dos laterais do próprio Liverpool.

O técnico holandês Johan Cruyff, falecido em 2016, costumava criticar a mídia esportiva afirmando que os jornalistas confundem velocidade com visão de jogo. “Se eu começar a correr antes que os outros vou sempre parecer mais rápido”, dizia o mentor de Pep Guardiola. Isso explica como funciona o método de jogo do Liverpool. Os passes do time inglês sempre percorrem longas extensões, quase nunca com bolas rifadas. E os pontas sempre começam a correr antes.

A tendência de escalar atacantes mais agudos pelos lados do campo tem outros exemplos. O técnico Tite usou Everton Cebolinha como ponta para vencer a Copa América neste ano. Outros exemplos de novos pontas são David Neres, do Ajax, Douglas Costa, da Juventus. “O ponta atual, o atacante de beirada de campo, costuma fazer o movimento em diagonal em direção ao gol. Os pontas antigos iam para a linha de fundo e cruzavam”, diz o ex-jogador Zé Sérgio, um dos grandes ponteiros de sua geração. “Até o Neymar tem essas características. É um atacante de beirada que faz a diagonal”, exemplifica.

O dirigente Júnior Chávare, diretor das divisões de base do Atlético Mineiro, revela que aumentou a demanda por pontas nas categorias de base. “Tivemos um aumento da demanda por jogadores deste tipo com o uso cada vez maior dos esquemas 4-2-3-1 e 4-3-3. Então, os clubes foram buscando, ou até mesmo adaptando, atletas que preenchem os requisitos dessa posição”, diz Chávare, que descobriu Everton Cebolinha quando trabalhou no Grêmio, e David Neres, quando atuou na base do São Paulo.

“Quando existe uma demanda, a categoria de base tenta produzir para atendê-la. Com isso, o trabalho na base acaba sendo direcionado inicialmente pelas necessidades do time principal. Depois, aquelas que o mercado requisita”.

Especialista na formação de atletas, o dirigente cita o caso de Douglas, hoje na Juventus. “Douglas Costa estreou entre os profissionais no Grêmio em 2008 jogando no meio-campo. Com as novas tendências de esquemas táticos utilizados, ele passou a atuar como ponta, posição em que se destacou”, diz Chávare.

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