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Königstein ansiosa para receber a seleção brasileira

?Vamos fazer de tudo para proporcionar o melhor para os brasileiros.?? Dita por alguém com experiência em cativar turistas, tal mensagem nada mais seria que uma frase de efeito. Mas proferida por uma senhora com olhar ansioso e assustado, entre um gole e outro de café, assume tom de desafio. Mais que isso, de desejo. O de fazer tudo para que os brasileiros que invadirão Königstein de 5 a 16 de junho sintam-se em casa.Königstein é a cidadezinha alemã de 18 mil habitantes, localizada a 20 km de Frankfurt, que vai receber a seleção brasileira por 12 dias durante a Copa do Mundo. Os pentacampeões ficarão no Kempinski, um luxuoso cinco estrelas no bairro de Falkenstein, um dos três do quase lugarejo, e a expectativa é que atrás deles apareçam de 6 a 8 mil torcedores brasileiros.Motivo de alegria e de preocupação para o sorridente pessoal do lugar ? os professores que estão ensinando os alemães a dar risada para ser um povo simpático durante a Copa não precisam passar por Königstein, pois ali eles já sabem sorrir.A senhora ansiosa, também simpática e prestativa (e sorridente), é Heike Bergsmeier, uma integrante do grupo de trabalho com 20 pessoas criado pela prefeitura para preparar a recepção aos ilustres visitantes.Receber forasteiros é algo que o pessoal de Königstein sabe bem. A cidade da região montanhosa do Taunus, que deixou de ser um simples povoado em 1313, fica em meio a muito verde e atrai praticantes de caminhada (tem mais de 140 trilhas sinalizadas) e também tem atrações como um zoológico e um museu ao ar livre, ruínas de dois castelos medievais ? um no centro e outro no bairro de Falkenstein, ao lado de onde ficará a seleção ?, entre outras atrações.Mas o forte mesmo de Königstein é o clima, o ar puro. Considerada ideal para a recuperação de pessoas com problemas cardíacos, circulatórios e neurológicos, entre outros, tem cinco modernas clínicas de restabelecimento. A cidade é certificada pelo governo como fonte natural de saúde.É um público que quer, e precisa, de sombra, água fresca, silêncio e calmaria. Bem diferente daquele que deve tomar conta de Königstein em junho, o que deixa os anfitriões cheios de dúvidas. ?Como são os brasileiros???, ?Do que vocês gostam???, ?Como se comportam???, ?São muito exigentes?, ?São alegres, agitados (no sentido de bagunceiros)??? foram algumas perguntas que a senhora Bergsmeier fez à reportagem. ?Temos de preparar tudo direitinho e nosso tempo é curto.?Deve ser curto para os padrões alemães, pois desde 12 de dezembro, quando a CBF anunciou que ficaria no Kempinski, não se fala de outra coisa na cidade. ?Você não imagina a agitação que a notícia da presença do Brasil está causando neste pacato lugar. Eu estou é gostando??, revelou o italiano Fabrizio Monti, pensando na festa, no faturamento (é motorista de táxi) e na possibilidade de conseguir um autógrafo de Adriano. ?Torço para a Internazionale e ele é o melhor do mundo.?? Até o prefeito Siegfried Fricke, de 51 anos, entrou no clima. ?Já aprendi a dançar samba??, diz ele, garantindo: ?Não pagamos nada para hospedar o Brasil.??A expectativa cresce rapidamente. ?A cada dia que passa aumentam os comentários sobre a presença da seleção brasileira. Não se fala de outra coisa na cidade??, disse a brasileira Isabel Botteman, moradora de Falkenstein, quase vizinha ao hotel da seleção. Casada com um sueco, ela faz parte do grupo de 2.600 estrangeiros que residem em Königstein.São pessoas que trabalham em Frankfurt e escolheram a região para morar pela proximidade com o centro financeiro alemão (20 minutos de carro e 32 de trem, que sai de 30 em 30 minutos da estação central de Frankfurt). Isabel está ajudando o pessoal da cidade, atuando como tradutora e também no projeto de instalação da Vila Brasil.Königstein vai investir 500 mil para receber os brasileiros. ?Nosso objetivo não é recuperar o dinheiro e sim, projetar a cidade??, disse Leonhard Helm, um advogado de 41 anos que, eleito com 68% dos votos, assume a prefeitura em 1º de junho, quatro dias antes da chegada da seleção.Helm contou que será adotado um esquema de trânsito especial na cidade ? a maioria das ruas é estreita. E a segurança na cidade vai ser reforçada, pois a população pode crescer em quase 50% . Mas disse que os policiais serão tolerantes com a barulheira dos brasileiros na cidade. ?Na Alemanha, a lei do silêncio à noite é cumprida rigorosamente, mas seremos flexíveis??. Só que advertiu: ?Se o barulho for exagerado ou o comportamento das pessoas não for adequado, aí a polícia será enérgica.??

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