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LaMia teve 4 pedidos de voos negados pela Anac no Brasil

Empresa só obteve permissão para transportar as seleções de Bolívia e a Argentina, de Messi

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2016 | 06h00

Dois seis pedidos de voo que a companhia aérea LaMia solicitou à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) recentemente, quatro foram negados. A empresa, responsável por levar o time da Chapecoense para Medellín, tinha apenas uma aeronave funcionando e ela esteve no Brasil duas vezes.

“O primeiro voo foi solicitado no dia 5/10 para o transporte da seleção boliviana para um jogo, em Natal, no dia 6/10. O segundo voo foi solicitado no dia 6/11 para transportar a seleção da Argentina também para um jogo, em Belo Horizonte”, explicou a Anac. Ou seja, a mesma aeronave que caiu na Colômbia transportou Lionel Messi, Di Maria e Marcelo Moreno, entre outros atletas.

A primeira rota em outubro foi entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, até Brasília, distante aproximadamente 1.626 quilômetros. O avião então reabasteceu e seguiu para Natal, voando por mais 1.777 quilômetros. Pela autonomia da aeronave, seria impossível fazer o trajeto sem parada.

O outro voo, em novembro, trouxe a delegação da Argentina para Belo Horizonte. O trajeto foi de Santa Cruz de la Sierra até Buenos Aires, só com piloto e comissários de bordo, e aí partiu da capital da Argentina até a capital de Minas Gerais, numa distância de cerca de 2.166 quilômetros em linha reta.

Nas redes sociais, o piloto Miguel Quiroga publicou fotos em vídeos com os jogadores das duas seleções que vieram ao Brasil para a disputa das eliminatórias para a Copa do Mundo. Em ambas ocasiões, o avião trazia o emblema das confederações de futebol dos dois países.

Mas os outros pedidos para viajar ao Brasil feitos por Quiroga foram negados. Em outubro, ele solicitou voar de Belo Horizonte para Barranquilla, na Colômbia, mas a Anac negou porque “nas avaliações iniciais constatamos que a companhia não possuía o trigrama da Icao (autorização da International Civil Aviation Organization) para realizar voos comerciais’’. 

Já em novembro, a LaMia solicitou operar na rota Santa Cruz de La Sierra, Buenos Aires, Porto Alegre, Chapecó, Foz do Iguaçu e Santa Cruz de la Sierra, mas o voo também foi negado por “falta de infraestrutura aeroportuária disponível no aeroporto de Porto Alegre. O operador aeroportuário declarou à Anac que no horário e dia solicitados pela empresa para operar o voo (3 de novembro, por volta de 12h) não haveria disponibilidade de pista e de pátio”.

Os dois últimos pedidos negados, para voos ida e volta entre Brasil e Colômbia, em novembro, foram negados por ferir a 7ª liberdade do ar, ou seja, a empresa com sede na Bolívia não poderia realizar um trajeto entre dois países diferentes dos seus. Esses dois voos eram os que levariam a equipe da Chapecoense até Santa Cruz de la Sierra, e depois a Medellín.

INVESTIGAÇÕES

Foram motivos diferentes que impediram a LaMia de voar com mais frequência para o Brasil e, nas duas vezes que teve suas rotas permitidas, não houve qualquer problema. Mas as distâncias percorridas foram menores do que as escolhidas entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín, no limite da autonomia de voo.

Segundo Gustavo Vargas, CEO da companhia aérea, o plano de voo estabelecido não foi cumprido. A ideia inicial era fazer uma parada em Bogotá, a 250 quilômetros de Medellín, para reabastecer e seguir em frente. O executivo acha que isso foi determinante para a queda do avião, o que, horas mais tarde, foi confirmado pela Aeronáutica da Colômbia.

“O piloto é o único que toma a decisão de não descer, porque ele pensou que o combustível aguentava”, disse Vargas. Ele lembra que primeiramente a parada deveria ter sido feita em Cobija, na fronteira entre Bolívia e Acre. “Infelizmente, não conseguimos repor o combustível em Cobija. Estávamos atrasados e lá no aeroporto não se trabalha à noite”, explicou.

Cobija fica bem próxima de Epitaciolândia, cidade onde mora a mulher e os filhos do piloto Quiroga. Mas, para agilizar o transporte, ele optou por não parar e também abriu mão do plano B, que era Bogotá. “Temos que investigar os motivos que levaram o piloto a decidir voar diretamente para Medellín”, completou Vargas, que também busca respostas para a tragédia que culminou na morte de 71 pessoas.

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