Lançamentos para os fanáticos do Flu

?Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, antes, muito antes da presente encarnação? ? se parecem exageradas quando ditas por qualquer um, tais frases soavam naturais na boca do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues. Seu fanatismo pelo time (e pela seleção brasileira) transcendia e tornava obsoleto o simples ato de torcer: ?...na verdade, eu me sinto como se já fosse tricolor antes do Fluminense, antes de mim mesmo e até, se me permitem o exagero: eu era tricolor antes de Cristo.?Tal exagero se espalhou por crônicas que ele escreveu para diversos jornais ao longo da vida e que foram reunidas por Nelson Rodrigues Filho no volume ?O Profeta Tricolor? (240 páginas, R$ 32), que a Companhia das Letras lança na próxima semana, em homenagem ao centenário do clube. São reflexões de quem se acostumou a passar as tardes de domingo no Maracanã, normalmente na companhia do filho, que o seguiu desde pequeno. ?Ainda tenho algumas imagens, guardadas na lembrança, de um jogo entre Fluminense e Bangu, em 1951, que assisti ao seu lado?, comenta Nelsinho, que selecionou mais de 70 crônicas, que, com exceção de três, são inéditas em livro.Nelson começou a escrever diariamente sobre futebol em 1955, primeiro no ?Jornal dos Sports? (até 1966) e, a partir de 1962, em ?O Globo?, onde permaneceu até 1980 ? nos últimos quatro anos, aliás, seus textos também saíram no ?Jornal da Tarde?. Na década de 50, manteve ainda uma produção regular na ?Manchete Esportiva?, revista semanal publicada pela Bloch entre 1955 e 59. E ainda era uma das principais presenças no programa ?Grande Resenha Facit?, pioneiro entre as mesas-redondas sobre futebol, levado ao ar pela TV Rio a partir de 1960.Não se podia esperar, porém, uma análise crítica das partidas. ?Nelson recriava o jogo, indiferente à realidade?, escreve, no prefácio, Armando Nogueira, companheiro fiel nas tribunas do Maracanã. ?Os fatos estavam contra ele? Pior para os fatos.? Ele criou frases famosas como ?O videoteipe é burro?, ao contestar um lance que a TV exibia, que contrariava seu veredicto de uma jogada. ?Meu velho era filósofo e tinha um jeito peculiar de pensar o indivíduo a partir de suas crônicas sobre futebol?, conta Nelsinho.Uma visão mais realista da história do Fluminense, mas não menos dotada de charme, está no luxuoso livro ?100 Anos de Glória? (Editora Andrea Jakobsson Estudio, 200 páginas, R$ 110), do diplomata Pedro da Cunha e Menezes, que foi oficialmente lançado na noite de sexta-feira, na sede do clube. Trata-se de um belo trabalho, que une fotos inéditas e fatos históricos com curiosidades que marcam o centenário do Fluminense.Histórias como a da origem do apelido pó-de-arroz, surgida depois que o jogador Carlos Alberto, um mulato vindo do América, chegou ao time. ?No Fluminense, foi para o primeiro time, ficou logo em exposição. Tinha de entrar em campo, correr para o lugar mais cheio de moças na arquibancada, parar um instante, levantar o braço, abrir a boca num ?hip hip hurra?. Era o momento que Carlos Alberto mais temia. Preparava-se para ele, por isso mesmo, cuidadosamente, enchendo a cara de pó-de-arroz, ficando quase cinzento. Não podia enganar ninguém, chamava até mais atenção. O cabelo de escadinha ficava mais escadinha, emoldurando o rosto, cinzento de tanto pó-de-arroz.?Também comemorativo, o documentário ?Saudações Tricolores? foi especialmente preparado pelo cineasta André Barcinski e o produtor Heitor D?Alincourt. A partir de entrevistas com jogadores, dirigentes e torcedores famosos e anônimos, são relembradas as grandes glórias do clube. Lançado em VHS e DVD, o filme será exibido neste domingo, no Ginásio das Laranjeiras e estará à venda, por R$ 20, apenas nas lojas Só Tricolor, no Rio.

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