Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Laterais da seleção brasileira ensinam como vencer os amigos

Daniel Alves e Marcelo jogam na Espanha e têm como companheiros ou adversários a maior parte dos titulares da La Roja

ALMIR LEITE e SÍLVIO BARSETTI - Enviados especiais, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2013 | 07h43

RIO - Os laterais da seleção brasileira enfrentarão velhos conhecidos no Maracanã. Daniel Alves joga no Barcelona, equipe que tem 9 jogadores na seleção da Espanha – 6 deles titulares –, desde 2008. Marcelo está no Real Madrid, time com 4 convocados por Vicente del Bosque, 2 dos quais titulares, desde 2007.

 

Ou seja, conhecem bem os rivais da decisão da Copa das Confederações – e também são bastante conhecidos por eles. Podem passar, portanto, dicas importantes para Felipão e seus companheiros, mas não fazem segredo sobre o óbvio: o Brasil vai ter de jogar muita bola para ficar com o título.

 

Durante o treino da seleção brasileira em São Januário – os titulares fizeram apenas musculação e depois ficaram batendo bola e brincando no campo enquanto os reservas faziam um dois toques e treinavam cobrança de pênaltis –, Daniel Alves conversou longamente com Felipão. No papo de quase meia hora, ambos gesticularam bastante. Virados para o campo, deram a entender que discutiam posicionamento.

 

Daniel Alves, companheiro no Barça de Piqué, Jordi Alba, Busquets, Iniesta, Xavi, Fàbregas, Pedro, Valdés e David Villa, não destaca nenhum deles individualmente. Entende que La Roja é forte como equipe. "A maior virtude da Espanha é que cada jogador conhece as qualidades do outro."

 

O lateral diz ter a receita para o Brasil quebrar a série de 29 jogos invictos da Espanha. "Teremos de jogar com intensidade e coragem", recomenda. "E temos de manter a bola, não podemos dar a posse para a Espanha, senão vamos correr muito atrás dela."

 

Ele admite pequena vantagem da Espanha, pelo fato de ter um time entrosado e que conserva a base há vários anos, mas pondera que em uma decisão não há favoritos. No entanto, o desgaste dos jogadores de La Roja, em fim de temporada como muitos dos brasileiros, mas mais desgastados pelo calor e principalmente pela árdua partida da semifinal contra a Itália, decidida apenas nos pênaltis, pode jogar a favor do Brasil.

 

Sem contar, diz Daniel Alves, que a Espanha é um grande time, mas não sem defeitos. Mas não quis dizer quais, para não mostrar aos "amigos" que sabe onde são vulneráveis.

 

Marcelo preferiu, nos últimos dias, falar menos sobre a Espanha do que o companheiro que joga na outra lateral. Entendia que a seleção deveria se concentrar primeiro nos adversários que apareciam pelo caminho e chegou até a se irritar com as perguntas sobre La Roja feitas a ele ainda na primeira fase da Copa das Confederações. Mesmo assim, acabou dando boas dicas sobre os rivais.

 

O lateral-esquerdo revelou, por exemplo, que Casillas falou com ele várias vezes sobre o desejo de enfrentar o Brasil. "Ele me falava que tinha essa vontade. E posso garantir que todos os espanhóis respeitam muito a nossa seleção."

 

Ele elogiou bastante a equipe espanhola e alertou que o ponto forte é ter vários jogadores capazes de decidir uma partida.

 

Daniel Alves e Marcelo também foram elogiados pelo técnico espanhol Vicente del Bosque: "Os dois laterais brasileiros que jogam na Espanha são extraordinários, podem mudar a cara de uma partida", disse.

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